Uso da terra
O Brasil tinha 506,7 milhões de hectares de vegetação nativa em 2024. Em 1985, eram 609,3 milhões. A perda nesse período chega a 16,8% da vegetação que existia em 1985. Quem produz essa medida é a Rede MapBiomas, que classifica imagens de satélite ano a ano. Esta página reúne 26 séries de uso da terra com dado, de 14 fontes.
O satélite registra a luz refletida pela superfície. Depois, um programa de computador classifica cada pixel, o menor ponto da imagem, num tipo de cobertura, como floresta ou pasto. A área de cada tipo é a soma dos seus pixels. Duas escolhas mudam o número de um mesmo ano. A primeira é o limiar de dossel, isto é, quanto da área de um pixel precisa estar coberto pelas copas das árvores para ele contar como floresta. No Global Forest Watch, a perda de 2025 vai de 3,8 milhões de hectares com o limiar de 0% a 2,3 milhões com o limiar de 75%. A segunda é a resolução do mapa. Para 2024, o mapa do MapBiomas com pixels de dez metros dá 498,9 milhões de hectares de vegetação nativa, e o mapa com pixels de trinta metros dá 506,7 milhões.
A perda não é igual entre os biomas. O Cerrado perdeu 29,2% da vegetação nativa que tinha em 1985. É a maior queda proporcional entre os 6 biomas medidos. Outros 4 biomas perderam entre 10,5% e 25%. O Pampa ganhou 6,6% no período e é o único que termina com mais vegetação nativa do que no início. Outros tipos de cobertura também mudaram no mesmo período. A área urbana mapeada passou de 1,8 para 4,5 milhões de hectares. A floresta natural em terras indígenas diminuiu 0,7%.
Segundo o MapBiomas, o desmatamento anual chegou a 49.902 quilômetros quadrados em 1987, o maior valor da série. Em 2024, ficou em 25.734. A área queimada muda de outro modo. O maior valor foi em 2007, com 30,9 milhões de hectares, e o valor de 2023 é de 16,2 milhões.
Perda de cobertura de árvores e desmatamento medem coisas diferentes. A perda de cobertura inclui qualquer retirada de copas, inclusive o corte de plantações comerciais e as árvores derrubadas por incêndio. O desmatamento inclui só a vegetação nativa que foi convertida em outro uso. Somar as duas medidas contaria a mesma área duas vezes. Por isso, cada painel desta página mostra uma fonte de cada vez. A perda acumulada começa a contar em 1985, e o que foi convertido antes desse ano não entra nela. Lovejoy e Nobre situam o limiar da Amazônia entre 20 e 25 por cento da floresta. Esse cálculo divide por outra área de referência. Por isso, os 16,8% desta página não podem ser comparados diretamente com esse limiar.
Vegetação que resta e área convertida
▸ Cobertura de vegetação nativa remanescente (ha)
O gráfico mostra 7 dos 7 recortes: os que têm os maiores valores no último ano.
▸ Taxa anual de desmatamento (km2/ano)
O gráfico mostra 6 dos 6 recortes: os que têm os maiores valores no último ano.
▸ Desmatamento acumulado sobre a área original do bioma (percentual)
O gráfico mostra 7 dos 7 recortes: os que têm os maiores valores no último ano.
A perda de cobertura de árvores
A perda de cobertura de árvores é medida por satélite. Cada métrica informa o limiar de dossel usado, isto é, quanto de um pixel precisa estar coberto por copas para contar como floresta. O mesmo ano tem valores diferentes conforme o limiar. Por isso, o limiar aparece junto de cada número.
▸ Perda de cobertura arbórea (ha/ano)
O gráfico mostra 9 dos 9 recortes: os que têm os maiores valores no último ano.
▸ Perda de floresta primária úmida tropical (ha/ano)
O gráfico mostra 6 dos 6 recortes: os que têm os maiores valores no último ano.
▸ Perda de cobertura arbórea por vetor dominante (ha/ano)
O gráfico mostra 7 dos 7 recortes: os que têm os maiores valores no último ano.
Fogo
▸ Área queimada (ha/ano)
O gráfico mostra 6 dos 6 recortes: os que têm os maiores valores no último ano.
▸ Focos de calor detectados por satélite (contagem)
A contagem de focos depende do satélite de referência que a fonte adota.
O que passa a ocupar a área
▸ Área de mineração (ha)
O gráfico mostra 2 dos 2 recortes: os que têm os maiores valores no último ano.
▸ Área urbana mapeada (ha)
O gráfico mostra 6 dos 6 recortes: os que têm os maiores valores no último ano.
▸ Área ocupada por usina fotovoltaica (ha)
O gráfico mostra 5 dos 5 recortes: os que têm os maiores valores no último ano.
▸ Floresta natural em terra indígena (ha)
O gráfico mostra 6 dos 6 recortes: os que têm os maiores valores no último ano.
▸ Área de vegetação secundária em recuperação (ha)
O gráfico mostra 6 dos 6 recortes: os que têm os maiores valores no último ano.
▸ Formação florestal natural dentro de áreas protegidas (ha)
O gráfico mostra 6 dos 6 recortes: os que têm os maiores valores no último ano.
▸ Área de manguezal (ha)
O gráfico mostra 4 dos 4 recortes: os que têm os maiores valores no último ano.
Todas as séries do domínio
Cada série mostra o período coberto, o número de fontes e o caminho até os dados. A lista vai da série com mais observações para a série com menos. Ela inclui as séries que não têm gráfico nesta página, para que os dados delas também possam ser consultados.
Perda de cobertura arbórea
2001–2025 · 1.100 obs
ha/anofonte única37 recortesPerda de cobertura arbórea medida pelo Global Forest Watch (GFW). A própria fonte diz que a perda de cobertura arbórea não é desmatamento. Cobertura arbórea é toda vegetação acima de 5 metros, inclusive plantação, e a perda inclui corte comercial, fogo, doença e tempestade. O limiar de dossel, a parcela do solo coberta pelas copas, fica no campo métrica. A fonte publica o mesmo ano em oito limiares (0, 10, 15, 20, 25, 30, 50 e 75%), e somar dois limiares conta a mesma área duas vezes. A fonte adverte que melhorias de detecção entre 2011 e 2015 podem inflar os anos recentes em relação aos antigos. Por isso não se recomenda ler tendência de longo prazo nesta série.Perda de floresta primária úmida tropical
2002–2025 · 792 obs
ha/anofonte única33 recortesEsta é a série do Global Forest Watch (GFW) mais próxima de desmatamento: floresta primária úmida tropical, só no limiar de 30% de dossel, de 2002 em diante. Mesmo assim ela não é a taxa do PRODES, que mede corte raso na Amazônia Legal com outro método e outro recorte. As duas convivem, e uma não substitui a outra. A própria fonte diz que a perda de cobertura arbórea não é desmatamento. Cobertura arbórea é toda vegetação acima de 5 metros, inclusive plantação, e a perda inclui corte comercial, fogo, doença e tempestade. O limiar de dossel, a parcela do solo coberta pelas copas, fica no campo métrica. A fonte publica o mesmo ano em oito limiares (0, 10, 15, 20, 25, 30, 50 e 75%), e somar dois limiares conta a mesma área duas vezes. A fonte adverte que melhorias de detecção entre 2011 e 2015 podem inflar os anos recentes em relação aos antigos. Por isso não se recomenda ler tendência de longo prazo nesta série.Taxa anual de desmatamento
1985–2025 · 660 obs
km2/ano2 fontes17 recortesO PRODES, do INPE, mede a taxa consolidada de desmatamento. O DETER, também do INPE, emite alertas, e alerta não é taxa. O Global Forest Watch mede perda de cobertura arbórea, com outra definição.Área de mineração
1985–2023 · 546 obs
hafonte única14 recortesO recorte separa garimpo de mineração industrial, porque somar os dois apaga a diferença que interessa.Cobertura de vegetação nativa remanescente
1985–2024 · 376 obs
ha2 fontes8 recortesDesmatamento acumulado sobre a área original do bioma
1985–2024 · 320 obs
percentualfonte única8 recortesderivadaOs pesquisadores Lovejoy e Nobre situam o ponto de inflexão da Amazônia entre 20 e 25 por cento de desmatamento acumulado.Área urbana mapeada
1985–2024 · 280 obs
hafonte única7 recortesTecido urbano detectado por satélite, em hectares. A série é diferente de "Impermeabilização do solo urbano", que é percentual por município: as duas medem grandezas diferentes. A área também cresce quando a resolução do mapeamento melhora entre coleções.Floresta natural em terra indígena
1985–2024 · 280 obs
hafonte única7 recortesA série soma as classes de floresta natural. A nota de cada observação lista as classes somadas, porque a legenda do MapBiomas muda entre coleções. O indicador fala de política fundiária, além de ecologia.Área queimada
1985–2023 · 273 obs
ha/anofonte única7 recortesÁrea queimada é diferente de foco de calor. A área mede a extensão atingida pelo fogo, e o foco de calor é um ponto quente detectado por satélite.Área ocupada por usina fotovoltaica
1985–2024 · 240 obs
hafonte única6 recortesO MapBiomas tem classe própria para usina fotovoltaica a partir da Coleção 10. Hectare ocupado e megawatt instalado só se convertem um no outro com a densidade de potência de cada projeto. Por isso esta série não substitui a capacidade instalada da IRENA.Área de vegetação secundária em recuperação
1985–2024 · 240 obs
hafonte única6 recortesÁrea que voltou a ser vegetação depois de uso humano. Ela não equivale à floresta primária, nem em função ecológica nem em estoque de carbono.Formação florestal natural dentro de áreas protegidas
1985–2024 · 240 obs
hafonte única6 recortesO recorte é feito por unidade de conservação. A fonte declara o nível de governo e o tipo de uso de cada unidade.Área florestal do território
1990–2023 · 236 obs
percentualfonte única7 recortesA série segue a definição da FAO, que conta plantação florestal como floresta. Um país que troca floresta natural por eucalipto pode manter o percentual estável. A série do MapBiomas separa floresta natural de plantada e mostra essa diferença.Área de manguezal
1985–2024 · 200 obs
hafonte única5 recortesPerda de cobertura arbórea por vetor dominante
2001–2025 · 175 obs
ha/anofonte única7 recortesA série divide a perda pelo vetor dominante, a causa principal, em células de 1 km ao longo de todo o período 2001-2025, e não ano a ano. A fonte adverte que o vetor de um ano isolado pode estar super ou subestimado, porque cada célula recebe um só vetor mesmo quando vários ocorreram em momentos diferentes. A própria fonte diz que a perda de cobertura arbórea não é desmatamento. Cobertura arbórea é toda vegetação acima de 5 metros, inclusive plantação, e a perda inclui corte comercial, fogo, doença e tempestade. O limiar de dossel, a parcela do solo coberta pelas copas, fica no campo métrica. A fonte publica o mesmo ano em oito limiares (0, 10, 15, 20, 25, 30, 50 e 75%), e somar dois limiares conta a mesma área duas vezes. A fonte adverte que melhorias de detecção entre 2011 e 2015 podem inflar os anos recentes em relação aos antigos. Por isso não se recomenda ler tendência de longo prazo nesta série.Área de alerta de desmatamento validado
2019–2026 · 130 obs
ha/anofonte única17 recortesEste número é diferente da taxa do PRODES. A fonte valida cada evento com imagem de alta resolução de antes e de depois, cobre todos os biomas, não tem área mínima e usa o ano civil. O PRODES mede corte raso acima de 6,25 ha, no ano-satélite de agosto a julho, e só na Amazônia Legal e no Cerrado. A diferença entre os dois não é erro de nenhum deles.Área de aviso de desmatamento
2016–2026 · 109 obs
km2/anofonte única10 recortesA fonte emite estes avisos em quase tempo real, para orientar a fiscalização. O aviso não é taxa consolidada e não substitui o PRODES. Um aviso pode ser revisto, e a soma dos avisos do ano não equivale à taxa anual medida.Área de aviso de degradação florestal
2016–2026 · 107 obs
km2/anofonte única10 recortesDegradação é a perda de floresta sem a remoção total da vegetação. No DETER, ela é uma classe separada do desmatamento e do corte seletivo.Área agrícola por regime de irrigação
2000–2023 · 96 obs
hafonte única4 recortesA irrigação é adaptação e pressão ao mesmo tempo. Ela reduz a exposição da lavoura à seca e aumenta a retirada de água da bacia. A série guarda os dois lados e não resolve essa tensão.Área de pastagem por condição de vigor
2000–2023 · 96 obs
hafonte única4 recortesCada condição de vigor fica num recorte separado. Somar os recortes devolve a área total de pasto, que responde a outra pergunta. A área degradada é o denominador da Estratégia Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas.Extensão de Áreas Marinhas Protegidas
2013–2025 · 92 obs
percentual2 fontes8 recortesPercentual da área marinha sob jurisdição nacional que está protegida. É a meta 7 da Estratégia Nacional de Adaptação e também um compromisso internacional. A série vem do Banco Mundial, que redistribui a base Protected Planet (WDPA) da UNEP-WCMC, o centro de monitoramento da conservação do Programa da ONU para o Meio Ambiente. Ela não é o Cadastro Nacional de Unidades de Conservação. A área contada inclui categorias de uso sustentável, além das de proteção integral. A base conta a área designada como protegida, e não a fiscalização no mar.Área terrestre protegida
2013–2025 · 91 obs
percentualfonte única7 recortesPercentual do território terrestre sob proteção, segundo a base Protected Planet, redistribuída pelo Banco Mundial. A série conta área designada, e não fiscalização em campo. Ela inclui áreas de uso sustentável ao lado das de proteção integral.Área de aviso de mineração
2016–2026 · 79 obs
km2/anofonte única9 recortesDuração da estação de fogo
2015–2100 · 72 obs
diasfonte únicaEsta é uma série de projeção, e não de observação. Ela é resultado de modelo sob uma premissa, e a premissa é uma escolha política. O cenário fica no campo métrica, e o qualificador é projeção. A diferença entre cenários depende de decisão, e não de incerteza. A faixa entre modelos fica na nota de cada observação. A série nunca deve ser desenhada na mesma curva de uma medida.Floresta natural no semiárido
1985–2024 · 40 obs
hafonte únicaO semiárido é uma delimitação legal da Sudene, e não um bioma. É um recorte administrativo, já revisado mais de uma vez, e inclui municípios de Minas Gerais. Ele não coincide com a Caatinga.Focos de calor detectados por satélite
1998–2026 · 29 obs
contagemfonte únicaA contagem de focos depende do satélite de referência que a fonte adota.