O que anda junto
3.559 pares de séries têm 10 anos ou mais em comum. Destes, 241 cruzam domínios diferentes, com fontes diferentes e não ligadas entre si, que é a única combinação em que o coeficiente começa a merecer leitura.
Um par sem relação plausível
A concentração atmosférica de hexafluoreto de enxofre e a participação de solar e eólica na geração elétrica brasileira concordam em 0,92 na variação. Uma é um gás industrial medido no ar do planeta; a outra é a matriz elétrica de um país. As duas crescem de forma quase monótona no período, e a concordância decorre disso. O coeficiente mede a semelhança de forma entre as curvas, e não a existência de um mecanismo entre elas.
▸ Concentração atmosférica de hexafluoreto de enxofre × Participação de solar e eólica na geração elétrica
Na variação de um ano para o outro, 0,915; sobre o nível, 0,956. 26 anos em comum, de 2000 a 2025. As duas curvas estão normalizadas entre 0 e 1 no período comum, porque as unidades são diferentes; o valor publicado está na tabela.
Três pares lidos pela lógica do objetivo
Os pares acima saem de uma varredura que cruza tudo com tudo. Estes três foram escolhidos por outro caminho: partem do que a plataforma se propõe a informar, que é risco físico, risco de transição e capacidade de resposta, e só então procuram na base as séries que falam disso. O teste é o mesmo para os três, e está escrito ao lado de cada um.
prontidão para adaptar contra pressão sobre a água
É o par que mais se aproxima do que a plataforma promete medir em gestão de risco: de um lado o quanto o país está pronto para adaptar-se, do outro o quanto da água disponível já está sendo retirada. A concordância na variação é forte e NEGATIVA, e sobrevive à retirada da tendência: nos anos em que a retirada de água sobe, a prontidão medida cai. O que isso NÃO diz é qual das duas move a outra, e nem que uma terceira coisa não mova as duas.
▸ Prontidao para adaptacao ND-GAIN × Retirada de agua doce
Na variação de um ano para o outro, -0,913; sobre o nível, -0,601. 28 anos em comum, de 1995 a 2022. As duas curvas estão normalizadas entre 0 e 1 no período comum, porque as unidades são diferentes; o valor publicado está na tabela.
área de usina solar contra intensidade energética
É o par do risco de transição: quanto de solo o país dedicou a usina fotovoltaica, contra quanta energia ele gasta por unidade de produto. Aqui o nível e a variação concordam quase no mesmo valor, o que é raro nesta base e é o que dá firmeza ao par: a concordância não vem só de as duas curvas subirem juntas, ela aparece também ano a ano.
▸ Area ocupada por usina fotovoltaica × Intensidade energetica do produto
Na variação de um ano para o outro, -0,737; sobre o nível, -0,753. 23 anos em comum, de 2000 a 2022. As duas curvas estão normalizadas entre 0 e 1 no período comum, porque as unidades são diferentes; o valor publicado está na tabela.
registro voluntário de emissões contra desmatamento acumulado
É o par que serve de aviso, e ele está aqui por isso. As duas séries sobem quase sem parar desde 2008: uma porque mais empresas aderem ao registro a cada ano, outra porque desmatamento acumulado é uma soma que nunca desce. Duas quantidades que só crescem concordam por construção, e o coeficiente alto não separa isso de uma relação real. Nenhum mecanismo liga adesão de empresa a área desmatada, e a plataforma publica o par com essa frase colada nele.
▸ Desmatamento acumulado sobre a área original do bioma × Organizacoes no registro corporativo voluntario
Na variação de um ano para o outro, 0,861; sobre o nível, 0,935. 17 anos em comum, de 2008 a 2024. As duas curvas estão normalizadas entre 0 e 1 no período comum, porque as unidades são diferentes; o valor publicado está na tabela.
A agenda e o clima medido
Os pares que envolvem a contagem de itens de agenda governamental da PNMC. Eles são os mais tentadores da base e os que exigem mais cuidado: a série tem onze anos, termina em 2020, e o que a derruba no fim é uma decisão política, e não o clima. Ler aqui uma resposta do governo ao tempo seria inverter o que a fonte diz.
Itens de agenda governamental da PNMC × Precipitacao anual acumulada no Brasil
2010–2020 · n=11
variação 0,778nível 0,609Dias secos no ano × Itens de agenda governamental da PNMC
2010–2020 · n=11
variação -0,776nível -0,75Itens de agenda governamental da PNMC × Media anual da maxima diaria no Brasil
2010–2020 · n=11
variação -0,747nível -0,704Dias com chuva acima de 20 mm × Itens de agenda governamental da PNMC
2010–2020 · n=11
variação 0,726nível 0,393Dias com maxima acima de 35 graus × Itens de agenda governamental da PNMC
2010–2020 · n=11
variação -0,706nível -0,63Área queimada × Itens de agenda governamental da PNMC
2010–2020 · n=11
variação -0,69nível -0,447Focos de calor detectados por satélite × Itens de agenda governamental da PNMC
2010–2020 · n=11
variação -0,683nível -0,219Itens de agenda governamental da PNMC × Elevação do nível do mar
2010–2020 · n=11
variação -0,664nível -0,819
Índice construído contra evento registrado
Doze índices de risco municipal, construídos pelo arcabouço do IPCC AR5, contra a contagem de desastres reconhecidos em cada município. São 5.202 municípios com as duas coisas, e é o único cruzamento desta base com amostra grande o bastante para que o coeficiente diga alguma coisa.
▸ correlação entre índice de risco e desastres reconhecidos, por município
Dois coeficientes por índice: sobre a contagem como ela é, e sobre o logaritmo dela. A contagem é muito assimétrica, com a maioria dos municípios em poucos desastres e alguns em dezenas, e sem o logaritmo a cauda decide o número sozinha. Todos os doze ficam entre −0,21 e +0,15.
- Integridade do bioma0.202
- Estresse hídrico0.143
- Leishmaniose visceral0.109
- Disponibilidade de alimentos0.106
- Arboviroses dengue, zika e chikungunya0.066
- Segurança alimentar0.050
- Acesso à energia elétrica0.034
- Inundações, enxurradas e alagamentos0.029
- Disponibilidade de energia elétrica0.028
- Malária0.021
- Deslizamento de terra0.014
- Leishmaniose tegumentar americana0.000
Os doze coeficientes ficam perto de zero. O maior em valor absoluto é o do índice de integridade do bioma, com −0,20 sobre o logaritmo; o de deslizamento fica em +0,01 e o de inundação em −0,03.
Isso não reprova o índice nem valida a contagem. As duas coisas medem objetos diferentes: o índice é prospectivo e é construção, combinando exposição, sensibilidade e capacidade adaptativa num número entre 0 e 1; a contagem é de protocolo reconhecido no sistema federal, e não de evento ocorrido, e depende de o município decretar situação de emergência. Município com menos capacidade administrativa registra menos, e essa mesma capacidade entra no cálculo do índice.
O que o resultado sustenta é uma pergunta: se o índice de risco e o registro de desastre não se acompanham em 5,2 mil municípios, então ao menos um dos dois não está medindo o que a leitura corrente supõe. Responder qual exige comparar tipo de risco com tipo de desastre, e essa comparação está na seção seguinte.
O mesmo confronto, com os tipos casados
A contagem de desastre usada acima junta todos os grupos num número só, e por isso o risco de deslizamento estava sendo confrontado com decreto de seca. Os decretos do Atlas Digital de Desastres foram reabertos em três séries pela classificação COBRADE da própria fonte, e cada índice de risco passou a ser confrontado com o grupo que lhe corresponde: deslizamento e inundação contra o decreto hidrológico, seca, água e alimento contra o climatológico.
▸ coeficiente pareado e coeficiente grosso, por índice de risco
A barra é o coeficiente com os tipos casados; o número entre parênteses é o mesmo cálculo sem casar, nos mesmos municípios. Onde o pareado é maior, casar o tipo recuperou sinal que a contagem junta escondia. Os dois são sobre o logaritmo da contagem, pela mesma assimetria da seção anterior.
- Segurança alimentar0.237
- Integridade do bioma0.214
- Estresse hídrico0.169
- Deslizamento de terra0.131
- Disponibilidade de alimentos0.070
- Inundações, enxurradas e alagamentos0.032
Casar o tipo move quatro dos seis coeficientes, e move mais onde a contagem junta era mais desproporcional. O risco de deslizamento sai de +0,014 para +0,131 quando deixa de ser confrontado com seca e passa a ser confrontado com o decreto hidrológico, que inclui movimento de massa. O risco de segurança alimentar sai de +0,050 para +0,237, o maior valor positivo da base. O de inundação sai de −0,029 para +0,032, o que troca o sinal sem sair da vizinhança do zero.
Duas leituras cabem no resultado, e a base não decide entre elas. A primeira: parte do descolamento da seção anterior vinha do instrumento de comparação, e não dos dois objetos comparados. A segunda: mesmo pareado, o maior coeficiente é +0,24, e um coeficiente desse tamanho descreve tendência num conjunto de 5,5 mil municípios sem descrever nenhum município em particular.
O índice de integridade do bioma fica onde estava, em −0,21, e é o único que quase não se move com o pareamento. O sinal negativo se mantém: municípios com bioma mais íntegro registram menos decreto climatológico. A contagem continua sendo de protocolo, e a capacidade administrativa que decide se um decreto é emitido continua entrando no cálculo do índice, de modo que o pareamento corrige o instrumento sem retirar essa circularidade.
O mesmo confronto, agora no tempo
As duas seções acima são de corte transversal: um ponto por município, num ano só. Elas perguntam se decreto e risco se distribuem juntos no espaço. Falta a outra metade: se o decreto acompanha, ano a ano, a medida física do fenômeno que ele diz registrar. A contagem de decretos soma o país em cada ano, e a medida física vem do World Bank Climate Change Knowledge Portal, que é outra fonte e não depende de nenhum município formalizar nada.
▸ decreto contra a medida física do fenômeno, 1991–2023
A barra é o coeficiente sobre a VARIAÇÃO de um ano para o outro, e é ele o número da leitura. O coeficiente sobre o nível vai na tabela marcado como contaminado: a contagem de decretos sobe ao longo da série em parte porque o registro melhorou, e as séries do CCKP não têm essa tendência administrativa, de modo que confrontar os níveis mediria sobretudo isso.
- Dias com chuva acima de 20 mm0.482
- Precipitacao anual acumulada no Brasil0.394
- Precipitacao anual acumulada no Brasil0.371
- Área queimada0.347
- Maior acumulado de chuva em cinco dias0.299
- Dias com maxima acima de 35 graus0.277
- Maior sequencia de dias secos do ano0.175
O decreto acompanha o tempo. Quando o Brasil tem mais dias de chuva forte do que no ano anterior, há mais decreto hidrológico do que no ano anterior, com coeficiente de +0,48 em 32 variações anuais. Quando chove menos que no ano anterior, há mais decreto climatológico, com −0,39. A área queimada anda com o decreto climatológico em +0,35 na variação, e só +0,13 no nível, o que situa a relação no movimento de curto prazo e fora da tendência.
Números maiores existem nesta base, e quase todos são de pares que compartilham a fonte, a derivação ou apenas a tendência. O que sustenta estes seis é outra coisa: o mecanismo está escrito antes do cálculo, os dois lados vêm de fontes independentes, e o coeficiente sobrevive depois de retirada a tendência. Chuva forte e decreto de enxurrada não são a mesma medida vista duas vezes.
Isso muda a leitura das duas seções anteriores. A contagem de decretos responde ao que aconteceu no ano, e o coeficiente perto de zero contra o índice de risco não se explica dizendo que o registro administrativo é ruído. A distância fica do lado do índice, que é prospectivo e é construção: ele descreve quem está exposto, e não quem foi atingido, e as duas coisas podem divergir sem que nenhuma das duas esteja errada.
Uma coisa que este bloco não afirma: ele não mede evento. Continua contando decreto, e a melhora do registro ao longo do século continua dentro do número, ainda que retirada da variação. O outro limite, o de somar o país inteiro em cada ano, é o assunto da seção seguinte.
O mesmo confronto dentro de cada estado
A soma nacional junta uma seca no Nordeste e uma enchente no Sul no mesmo total, e as duas se anulam. Quatro séries do World Bank CCKP têm recorte por estado, e o decreto municipal soma por estado sem inventar nada; a ponte entre o nome do estado no CCKP e a sigla do município vem do cadastro do IBGE. Entra a unidade federativa com quinze anos ou mais em comum e dez variações anuais consecutivas.
▸ Desastre climatologico registrado por municipio × Precipitacao anual acumulada no Brasil
A barra sai do meio: para a esquerda quando o coeficiente é negativo, para a direita quando é positivo, e o sinal continua escrito no número à direita. O confronto nacional deste par dá -0,394, e as 16 unidades federativas com dado suficiente vão de -0,894 a 0,03.
- CE · Nordeste-0.894
- PB · Nordeste-0.845
- AM · Norte-0.785
- RN · Nordeste-0.538
- PE · Nordeste-0.508
- MG · Sudeste-0.460
- SE · Nordeste-0.416
- BA · Nordeste-0.382
- PI · Nordeste-0.317
- MT · Centro-Oeste-0.290
- SC · Sul-0.236
- RS · Sul-0.207
- PR · Sul-0.168
- AL · Nordeste-0.130
- ES · Sudeste-0.065
- SP · Sudeste0.030
▸ Desastre hidrologico registrado por municipio × Precipitacao anual acumulada no Brasil
A barra sai do meio: para a esquerda quando o coeficiente é negativo, para a direita quando é positivo, e o sinal continua escrito no número à direita. O confronto nacional deste par dá 0,371, e as 24 unidades federativas com dado suficiente vão de 0,024 a 0,774.
- PR · Sul0.024
- RO · Norte0.193
- GO · Centro-Oeste0.242
- MS · Centro-Oeste0.299
- TO · Norte0.301
- MT · Centro-Oeste0.348
- AP · Norte0.359
- PA · Norte0.397
- SP · Sudeste0.400
- MG · Sudeste0.451
- PI · Nordeste0.471
- AC · Norte0.484
- AM · Norte0.508
- ES · Sudeste0.536
- BA · Nordeste0.543
- MA · Nordeste0.546
- RS · Sul0.547
- RJ · Sudeste0.565
- SC · Sul0.600
- AL · Nordeste0.602
- CE · Nordeste0.654
- PE · Nordeste0.671
- PB · Nordeste0.671
- RN · Nordeste0.774
▸ Desastre climatologico registrado por municipio × Maior sequencia de dias secos do ano
A barra sai do meio: para a esquerda quando o coeficiente é negativo, para a direita quando é positivo, e o sinal continua escrito no número à direita. O confronto nacional deste par dá 0,175, e as 16 unidades federativas com dado suficiente vão de -0,516 a 0,643.
- SP · Sudeste-0.516
- SC · Sul-0.375
- AL · Nordeste-0.274
- PE · Nordeste-0.149
- SE · Nordeste-0.107
- RN · Nordeste-0.041
- PR · Sul0.057
- PI · Nordeste0.060
- BA · Nordeste0.164
- PB · Nordeste0.200
- MT · Centro-Oeste0.201
- MG · Sudeste0.316
- RS · Sul0.529
- CE · Nordeste0.604
- ES · Sudeste0.608
- AM · Norte0.643
▸ Desastre meteorologico registrado por municipio × Dias com maxima acima de 35 graus
A barra sai do meio: para a esquerda quando o coeficiente é negativo, para a direita quando é positivo, e o sinal continua escrito no número à direita. O confronto nacional deste par dá 0,277, e as 11 unidades federativas com dado suficiente vão de -0,473 a 0,439.
- PA · Norte-0.473
- RS · Sul-0.325
- SP · Sudeste-0.197
- MT · Centro-Oeste-0.173
- SC · Sul-0.121
- PR · Sul-0.012
- ES · Sudeste0.008
- RJ · Sudeste0.043
- MG · Sudeste0.054
- BA · Nordeste0.224
- MS · Centro-Oeste0.439
A chuva média é a medida que funciona, e ela funciona nos dois sentidos. Contra o decreto climatológico, que é seca, o coeficiente nacional é −0,39 e dentro do Ceará chega a −0,894, com a Paraíba em −0,845: naqueles estados, a variação da chuva de um ano para o outro acompanha quase toda a variação do decreto de seca. Contra o decreto hidrológico, a mesma série de chuva dá +0,37 no país e +0,774 no Rio Grande do Norte, com Pernambuco e Paraíba em +0,671.
Os dois sinais opostos vêm do mesmo número físico. É a mesma série de chuva do mesmo estado, e ela desce com um registro e sobe com o outro, porque os dois registros contam coisas diferentes. Antes da separação por tipo, esses dois movimentos entravam numa contagem só e se cancelavam; era isso que mantinha o coeficiente nacional pequeno.
As outras duas medidas físicas não se sustentam no estado, e isso fica publicado junto. A sequência de dias secos contra o decreto climatológico troca de sinal conforme a unidade, de −0,516 em São Paulo a +0,643 no Amazonas; os dias acima de 35 graus contra o decreto meteorológico vão de −0,473 no Pará a +0,439 no Mato Grosso do Sul. Duas medidas do mesmo fenômeno concordando com o registro seria confirmação; uma concordando e outra não é o estado em que a base está.
O par mais forte da seção anterior fica de fora desta: Área queimada, Maior acumulado de chuva em cinco dias, Dias com chuva acima de 20 mm existem nesta base só no recorte nacional. A fonte publica parte delas por unidade subnacional, e ingerir esse recorte é o que faltaria para completar a leitura.
A mesma seca contra duas réguas físicas
O decreto de origem climatológica é confrontado acima com duas medidas diferentes do mesmo fenômeno, e as duas cobrem os mesmos estados: a CHUVA ANUAL, que é quanto choveu, e os DIAS SECOS CONSECUTIVOS, que é quanto tempo se passou sem chover. A segunda parece a mais apropriada para seca, porque déficit hídrico é acúmulo de dias sem água e não falta de milímetro no total do ano. Postas lado a lado, elas discordam.
▸ quantos estados respondem com o sinal esperado, por régua
O sinal ESPERADO é o negativo para a chuva, porque menos chuva deveria dar mais decreto de seca, e o positivo para os dias secos, porque mais dias sem chuva deveriam dar mais decreto. As duas barras contam, em cada régua, quantos dos estados respondem assim.
- chuva anual15
- dias secos consecutivos10
A régua que parece mais apropriada é a que funciona pior. A CHUVA ANUAL responde com o sinal esperado em 15 dos 16 estados: onde choveu menos que no ano anterior, houve mais decreto de seca que no ano anterior. Os DIAS SECOS CONSECUTIVOS respondem com o sinal esperado em apenas 10 dos 16, e o restante responde ao contrário, com estado em que mais dias sem chuva acompanham MENOS decreto.
Uma explicação possível, e a plataforma não tem como escolher entre ela e as outras: o decreto de seca responde a quebra de safra e a falta de água para abastecimento, e as duas coisas dependem de QUANDO a chuva faltou, e não só de por quantos dias seguidos. Um veranico de trinta dias no meio da estação chuvosa arrasa a lavoura; os mesmos trinta dias secos na estação seca são o esperado e não geram decreto nenhum. A contagem de dias consecutivos trata os dois casos como iguais, e o total anual, por acidente, se aproxima mais do que o decreto registra.
O que esta seção mostra, e vale para toda a página, é que a escolha da régua física decide o resultado ANTES de qualquer conta. Duas medidas do mesmo fenômeno, nos mesmos estados e nos mesmos anos, devolvem conclusões opostas sobre a mesma relação. Quem publica só uma das duas publica uma escolha, e não um achado.
O achado posto à prova por outra fonte
As seções acima usam a chuva do World Bank CCKP, que é reanálise em grade. A base guarda uma segunda medida de chuva que nenhuma página usava: 8.506 observações de 628 estações do INMET. Repetir o confronto com ela é a única oportunidade desta base de pôr um achado à prova, porque 92,2% das séries com dado têm fonte única e não admitem confronto.
▸ chuva do INMET contra decreto hidrológico, por estado
A barra é o coeficiente com a chuva do INMET; o número entre parênteses no ponteiro é o mesmo confronto com o CCKP, no mesmo estado. O PAINEL DE ESTAÇÕES É FIXO: entram só as que publicaram em TODOS os anos da janela, porque a rede do INMET cresce ao longo do período e a média de um conjunto que muda mede a rede, e não a chuva.
- RS · Sul0.758
- ES · Sudeste0.597
- DF · Centro-Oeste0.587
- SP · Sudeste0.575
- PR · Sul0.543
- RJ · Sudeste0.490
- MG · Sudeste0.488
- GO · Centro-Oeste0.486
- SC · Sul0.476
- BA · Nordeste0.222
▸ chuva do INMET contra decreto climatológico, por estado
A barra é o coeficiente com a chuva do INMET; o número entre parênteses no ponteiro é o mesmo confronto com o CCKP, no mesmo estado. O PAINEL DE ESTAÇÕES É FIXO: entram só as que publicaram em TODOS os anos da janela, porque a rede do INMET cresce ao longo do período e a média de um conjunto que muda mede a rede, e não a chuva.
- DF · Centro-Oeste0.686
- GO · Centro-Oeste0.430
- ES · Sudeste0.075
- PR · Sul0.047
- BA · Nordeste0.035
- RJ · Sudeste-0.092
- SP · Sudeste-0.133
- RS · Sul-0.185
- MG · Sudeste-0.192
- SC · Sul-0.391
A enchente replica e a seca não. Com a chuva do INMET, os dez estados que passam no critério dão coeficiente positivo contra o decreto hidrológico, e nos nove em que os dois lados existem o sinal é o mesmo do CCKP. Contra o decreto climatológico o INMET devolve cinco positivos e cinco negativos, e só três dos sete comparáveis mantêm o sinal.
A diferença entre os dois casos tem explicação no que cada medida alcança. A enchente é evento de dias, e uma estação registra bem a chuva que a causou. A seca é déficit acumulado sobre área e sobre tempo, e a média de três a vinte e três pontos num estado inteiro não a descreve; a reanálise em grade, que cobre o território todo, descreve melhor. O que a réplica mostra é onde a chuva de estação basta e onde ela não basta.
O custo do critério fica declarado, e ele é alto. Exigir estação contínua em todos os anos derruba a cobertura de vinte e seis estados para dez, e o Ceará, que é o caso mais forte do confronto original com −0,894, NÃO sobrevive: a rede do estado não tem três estações com série contínua longa. A réplica confirma onde pode e se cala onde não alcança.
A régua errada e a régua da bacia
A vazão média anual de cinco estações da ANA é a série hidrológica mais longa desta base, com 219 anos-estação entre 1969 e 2025. Ela permite demonstrar uma decisão de método: a mesma vazão sai confrontada com a chuva NACIONAL e com a chuva dos estados que cobrem a bacia de contribuição da estação. A régua nacional está publicada por ser a errada.
▸ a mesma vazão contra duas réguas de chuva
Duas barras por estação, na variação de um ano para o outro: em ciano a chuva média dos estados da bacia, em grafite a chuva média do Brasil. A correspondência entre estação e estados da bacia é DECLARADA à mão, porque o recorte da série carrega o rio e não a unidade federativa. A chuva da bacia entra como média entre estados, e não como soma: milímetro de chuva não se soma entre territórios.
- Óbidos · bacia0.582
- Óbidos · nacional0.346
- Jatuarana · bacia0.652
- Jatuarana · nacional0.284
- Abunã · bacia0.115
- Abunã · nacional0.020
- Paratinga · bacia0.565
- Paratinga · nacional0.120
- Passagem BR-080 · bacia0.475
- Passagem BR-080 · nacional0.308
▸ vazão da estação contra decreto de seca dos estados da bacia
O decreto é CONTAGEM e se soma entre estados, ao contrário da chuva. Duas das cinco estações ficam de fora por não terem dez variações anuais em comum com a série de decretos, e a falta aparece na tabela. Das três que entram, a de Paratinga é a única com trinta variações; as duas amazônicas têm onze e doze, e um coeficiente sobre tão poucos passos move-se muito com um ano só.
- Óbidos · AM+PA-0.714
- Jatuarana · AM-0.636
- Paratinga · BA+MG-0.596
A chuva do país inteiro não descreve o rio, e a chuva da bacia descreve. Nas 5 estações a régua de bacia devolve coeficiente maior que a nacional, e a mediana passa de 0,284 para 0,565. É o mesmo dado dos dois lados; o que muda é onde a chuva foi medida.
A exceção confirma o mecanismo em vez de contrariá-lo. O Madeira em Abunã fica em 0,115 mesmo com a régua de bacia, e é a estação cuja área de contribuição está em maior parte fora do Brasil: acima de Abunã o rio recolhe a água dos Andes bolivianos, que têm regime de chuva próprio. Nenhum estado brasileiro mede a chuva que enche aquele rio, e o coeficiente diz isso.
Contra o decreto de seca o sinal é negativo nas três estações que admitem o confronto: quando a vazão cai, a contagem de decretos nos estados da bacia sobe. O caso mais firme é o São Francisco em Paratinga, com -0,596 sobre trinta variações. Os dois amazônicos são mais fortes em número e mais frágeis em base, porque a série de decretos só cobre onze e doze variações ali. Nada disso é causa: a chuva move os dois lados, e o decreto depende também de quem o pede, como a seção registro de desastre detalha.
As cinco séries de vazão, ano a ano, estão em estado físico , junto com os anos mais magros de cada estação.
Todos os pares
Ordenados pela força na variação, que é a medida que resta depois de retirada a tendência. As marcas em rosa indicam quando o par tem origem estrutural: mesma fonte publicando as duas séries, fontes ligadas no grafo de dependência, ou séries do mesmo domínio, que costumam medir facetas da mesma coisa.
241 pares
Concentração atmosférica de hexafluoreto de enxofre × Participação de solar e eólica na geração elétrica
2000–2025 · n=26
variação 0,915nível 0,956Trends in Atmospheric GasesGlobal Electricity ReviewProntidao para adaptacao ND-GAIN × Retirada de agua doce
1995–2022 · n=28
variação -0,913nível -0,601ND-GAIN Country IndexWDIIndice ND-GAIN de adaptacao × Retirada de agua doce
1995–2022 · n=28
variação -0,911nível -0,375ND-GAIN Country IndexWDIOrganizacoes no registro corporativo voluntario × Populacao total
2008–2024 · n=17
variação -0,883nível 0,84RPEWDIOrganizacoes no registro corporativo voluntario × Renovavel no consumo final de energia
2008–2021 · n=14
variação 0,883nível 0,797RPEWDIOrganizacoes no registro corporativo voluntario × Area de pastagem por condicao de vigor
2008–2023 · n=16
variação 0,878nível 0,605RPEMapBiomas PastagemCobertura de vegetação nativa remanescente × Organizacoes no registro corporativo voluntario
2008–2024 · n=17
variação -0,861nível -0,935MapBiomas Cobertura e Uso da Terra, 30 mRPEDesmatamento acumulado sobre a área original do bioma × Organizacoes no registro corporativo voluntario
2008–2024 · n=17
variação 0,861nível 0,935MapBiomas Cobertura e Uso da Terra, 30 mRPEArea ocupada por usina fotovoltaica × Participação de solar e eólica na geração elétrica
2000–2024 · n=25
variação 0,836nível 0,875MapBiomas Cobertura e Uso da Terra, 30 mGlobal Electricity ReviewArea ocupada por usina fotovoltaica × Organizacoes no registro corporativo voluntario
2008–2024 · n=17
variação 0,834nível 0,976MapBiomas Cobertura e Uso da Terra, 30 mRPETaxa anual de desmatamento × Emissões líquidas de CO2 do Brasil, em massa do gás
1990–2020 · n=31
variação 0,807nível 0,714MapBiomas Cobertura e Uso da Terra, 30 mBURParticipação de solar e eólica na geração elétrica × Populacao urbana
2000–2025 · n=26
variação -0,805nível 0,893Global Electricity ReviewWDIEmissões líquidas de gases de efeito estufa do Brasil × Valor contratado pelo Fundo Amazonia
2010–2024 · n=15
variação -0,794nível -0,355SEEGFundo AmazoniaEmissões brutas de gases de efeito estufa do Brasil × Valor contratado pelo Fundo Amazonia
2010–2024 · n=15
variação -0,79nível -0,3SEEGFundo AmazoniaEmissao liquida por habitante × Valor contratado pelo Fundo Amazonia
2010–2024 · n=15
variação -0,787nível -0,453SEEGFundo AmazoniaEmissões globais de gases de efeito estufa × Inseguranca alimentar moderada ou grave
2014–2023 · n=10
variação -0,781nível 0,578GCPWDIOrganizacoes no registro corporativo voluntario × Participação de solar e eólica na geração elétrica
2008–2024 · n=17
variação 0,781nível 0,94RPEGlobal Electricity ReviewItens de agenda governamental da PNMC × Precipitacao anual acumulada no Brasil
2010–2020 · n=11
variação 0,778nível 0,609Tese PNMCCCKPDias secos no ano × Itens de agenda governamental da PNMC
2010–2020 · n=11
variação -0,776nível -0,75CCKPTese PNMCCredito de carbono emitido × Dias chuva acima 10mm projetado
1996–2005 · n=10
variação 0,774nível 0,389VRODPCLIMACredito de carbono emitido × Precipitacao anual total projetada
1996–2005 · n=10
variação 0,774nível 0,374VRODPCLIMAValor contratado pelo Fundo Amazonia × Geracao eletrica por fonte
2010–2026 · n=17
variação 0,77nível 0,552Fundo AmazoniaONSArea ocupada por usina fotovoltaica × Renovavel no consumo final de energia
1990–2021 · n=32
variação 0,752nível 0,793MapBiomas Cobertura e Uso da Terra, 30 mWDIItens de agenda governamental da PNMC × Media anual da maxima diaria no Brasil
2010–2020 · n=11
variação -0,747nível -0,704Tese PNMCCCKPArea terrestre protegida × Oferta interna de energia
2013–2025 · n=13
variação 0,746nível 0,893WDIBENTaxa anual de desmatamento × Emissões de óxido nitroso do Brasil, em massa do gás
1990–2020 · n=31
variação 0,744nível -0,633MapBiomas Cobertura e Uso da Terra, 30 mBUREmissao liquida por habitante × Valor desembolsado pelo Fundo Amazonia
2010–2024 · n=15
variação -0,741nível -0,175SEEGFundo AmazoniaEmissões líquidas de gases de efeito estufa do Brasil × Valor desembolsado pelo Fundo Amazonia
2010–2024 · n=15
variação -0,741nível -0,082SEEGFundo AmazoniaArea ocupada por usina fotovoltaica × Intensidade energetica do produto
2000–2022 · n=23
variação -0,737nível -0,753MapBiomas Cobertura e Uso da Terra, 30 mWDIEmissões brutas de gases de efeito estufa do Brasil × Valor desembolsado pelo Fundo Amazonia
2010–2024 · n=15
variação -0,732nível -0,013SEEGFundo AmazoniaTaxa anual de desmatamento × Emissões de metano do Brasil, em massa do gás
1990–2020 · n=31
variação 0,731nível -0,443MapBiomas Cobertura e Uso da Terra, 30 mBUROrganizacoes no registro corporativo voluntario × Populacao urbana
2008–2024 · n=17
variação -0,728nível 0,803RPEWDIConcentração atmosférica de hexafluoreto de enxofre × Inseguranca alimentar moderada ou grave
2014–2024 · n=11
variação -0,726nível 0,918Trends in Atmospheric GasesWDIDias com chuva acima de 20 mm × Itens de agenda governamental da PNMC
2010–2020 · n=11
variação 0,726nível 0,393CCKPTese PNMCCapacidade eletrica instalada por fonte × Concentração atmosférica de hexafluoreto de enxofre
2000–2025 · n=26
variação 0,718nível 0,994ONSTrends in Atmospheric GasesConcentração atmosférica de hexafluoreto de enxofre × Populacao urbana
1998–2025 · n=28
variação -0,717nível 0,985Trends in Atmospheric GasesWDIExtensão de Áreas Marinhas Protegidas × Organizacoes no registro corporativo voluntario
2013–2024 · n=12
variação -0,71nível 0,554WDIRPEDias quentes projetados × Vulnerabilidade climatica ND-GAIN
1995–2005 · n=11
variação -0,71nível 0,526PCLIMAND-GAIN Country IndexEstudos de atribuição de evento extremo publicados × Projetos de credito de carbono iniciados
2014–2026 · n=13
variação -0,709nível -0,346WWAVRODFocos de calor detectados por satélite × Precipitacao anual acumulada no Brasil
1998–2023 · n=26
variação -0,709nível -0,293Programa QueimadasCCKPDias com maxima acima de 35 graus × Itens de agenda governamental da PNMC
2010–2020 · n=11
variação -0,706nível -0,63CCKPTese PNMCArea terrestre protegida × Produtividade pesqueira
2013–2023 · n=11
variação 0,706nível 0,967WDIFishStatTaxa anual de desmatamento × Valor desembolsado pelo Fundo Amazonia
2010–2024 · n=15
variação -0,705nível -0,129MapBiomas Cobertura e Uso da Terra, 30 mFundo AmazoniaArea ocupada por usina fotovoltaica × Capacidade eletrica instalada por fonte
2000–2024 · n=25
variação 0,704nível 0,785MapBiomas Cobertura e Uso da Terra, 30 mONSNoites quentes projetadas × Vulnerabilidade climatica ND-GAIN
1995–2005 · n=11
variação -0,701nível 0,576PCLIMAND-GAIN Country IndexArea ocupada por usina fotovoltaica × Estudos de atribuição de evento extremo publicados
2014–2024 · n=11
variação 0,701nível 0,877MapBiomas Cobertura e Uso da Terra, 30 mWWACredito de carbono aposentado × Extensão de Áreas Marinhas Protegidas
2013–2025 · n=13
variação -0,7nível 0,673VRODWDIFloresta natural em terra indigena × Organizacoes no registro corporativo voluntario
2008–2024 · n=17
variação -0,699nível -0,955MapBiomas Cobertura e Uso da Terra, 30 mRPEÁrea queimada × Precipitacao anual acumulada no Brasil
1985–2023 · n=39
variação -0,697nível -0,359Monitor do FogoCCKPEmissões brutas de gases de efeito estufa do Brasil × Estudos de atribuição de evento extremo publicados
2014–2024 · n=11
variação -0,697nível -0,135SEEGWWACredito de carbono em circulacao × Dias chuvosos consecutivos projetado
1996–2005 · n=10
variação 0,695nível 0,525VRODPCLIMATaxa anual de desmatamento × Temperatura minima projetada
1985–2005 · n=21
variação 0,695nível 0,453MapBiomas Cobertura e Uso da Terra, 30 mPCLIMAEmissões líquidas de gases de efeito estufa do Brasil × Estudos de atribuição de evento extremo publicados
2014–2024 · n=11
variação -0,694nível -0,176SEEGWWACredito de carbono emitido × Dias chuvosos consecutivos projetado
1996–2005 · n=10
variação 0,693nível 0,387VRODPCLIMAÁrea queimada × Itens de agenda governamental da PNMC
2010–2020 · n=11
variação -0,69nível -0,447Monitor do FogoTese PNMCEmissao liquida por habitante × Estudos de atribuição de evento extremo publicados
2014–2024 · n=11
variação -0,686nível -0,277SEEGWWAGeracao eletrica por fonte × Inseguranca alimentar moderada ou grave
2014–2024 · n=11
variação -0,685nível 0,693ONSWDITaxa anual de desmatamento × Projetos contratados pelo Fundo Amazonia
2010–2024 · n=15
variação -0,684nível -0,676MapBiomas Cobertura e Uso da Terra, 30 mFundo AmazoniaChuva acima percentil95 projetada × Credito de carbono emitido
1996–2005 · n=10
variação 0,683nível 0,265PCLIMAVRODFocos de calor detectados por satélite × Itens de agenda governamental da PNMC
2010–2020 · n=11
variação -0,683nível -0,219Programa QueimadasTese PNMC
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