O que anda junto

Séries que se movem juntas nesta base. Cada par traz dois coeficientes, calculados sobre o nível e sobre a variação anual, e a diferença entre os dois indica se a concordância sobrevive à retirada da tendência.
3.559 paresmínimo de 10 anos em comumnenhum é causa

3.559 pares de séries têm 10 anos ou mais em comum. Destes, 241 cruzam domínios diferentes, com fontes diferentes e não ligadas entre si, que é a única combinação em que o coeficiente começa a merecer leitura.

Um par sem relação plausível

A concentração atmosférica de hexafluoreto de enxofre e a participação de solar e eólica na geração elétrica brasileira concordam em 0,92 na variação. Uma é um gás industrial medido no ar do planeta; a outra é a matriz elétrica de um país. As duas crescem de forma quase monótona no período, e a concordância decorre disso. O coeficiente mede a semelhança de forma entre as curvas, e não a existência de um mecanismo entre elas.

Concentração atmosférica de hexafluoreto de enxofre × Participação de solar e eólica na geração elétrica

Na variação de um ano para o outro, 0,915; sobre o nível, 0,956. 26 anos em comum, de 2000 a 2025. As duas curvas estão normalizadas entre 0 e 1 no período comum, porque as unidades são diferentes; o valor publicado está na tabela.

Concentração atmosférica de hexafluoreto de enxofre (ppt)Participação de solar e eólica na geração elétrica (percentual)
variação 0,915nível 0,956n = 26Trends in Atmospheric GasesGlobal Electricity Review

Três pares lidos pela lógica do objetivo

Os pares acima saem de uma varredura que cruza tudo com tudo. Estes três foram escolhidos por outro caminho: partem do que a plataforma se propõe a informar, que é risco físico, risco de transição e capacidade de resposta, e só então procuram na base as séries que falam disso. O teste é o mesmo para os três, e está escrito ao lado de cada um.

prontidão para adaptar contra pressão sobre a água

É o par que mais se aproxima do que a plataforma promete medir em gestão de risco: de um lado o quanto o país está pronto para adaptar-se, do outro o quanto da água disponível já está sendo retirada. A concordância na variação é forte e NEGATIVA, e sobrevive à retirada da tendência: nos anos em que a retirada de água sobe, a prontidão medida cai. O que isso NÃO diz é qual das duas move a outra, e nem que uma terceira coisa não mova as duas.

Prontidao para adaptacao ND-GAIN × Retirada de agua doce

Na variação de um ano para o outro, -0,913; sobre o nível, -0,601. 28 anos em comum, de 1995 a 2022. As duas curvas estão normalizadas entre 0 e 1 no período comum, porque as unidades são diferentes; o valor publicado está na tabela.

Prontidao para adaptacao ND-GAIN (indice)Retirada de agua doce (percentual)
variação -0,913nível -0,601n = 28ND-GAIN Country IndexWDI

área de usina solar contra intensidade energética

É o par do risco de transição: quanto de solo o país dedicou a usina fotovoltaica, contra quanta energia ele gasta por unidade de produto. Aqui o nível e a variação concordam quase no mesmo valor, o que é raro nesta base e é o que dá firmeza ao par: a concordância não vem só de as duas curvas subirem juntas, ela aparece também ano a ano.

Area ocupada por usina fotovoltaica × Intensidade energetica do produto

Na variação de um ano para o outro, -0,737; sobre o nível, -0,753. 23 anos em comum, de 2000 a 2022. As duas curvas estão normalizadas entre 0 e 1 no período comum, porque as unidades são diferentes; o valor publicado está na tabela.

Area ocupada por usina fotovoltaica (ha)Intensidade energetica do produto (MJ/USD)
variação -0,737nível -0,753n = 23MapBiomas Cobertura e Uso da Terra, 30 mWDI

registro voluntário de emissões contra desmatamento acumulado

É o par que serve de aviso, e ele está aqui por isso. As duas séries sobem quase sem parar desde 2008: uma porque mais empresas aderem ao registro a cada ano, outra porque desmatamento acumulado é uma soma que nunca desce. Duas quantidades que só crescem concordam por construção, e o coeficiente alto não separa isso de uma relação real. Nenhum mecanismo liga adesão de empresa a área desmatada, e a plataforma publica o par com essa frase colada nele.

Desmatamento acumulado sobre a área original do bioma × Organizacoes no registro corporativo voluntario

Na variação de um ano para o outro, 0,861; sobre o nível, 0,935. 17 anos em comum, de 2008 a 2024. As duas curvas estão normalizadas entre 0 e 1 no período comum, porque as unidades são diferentes; o valor publicado está na tabela.

Desmatamento acumulado sobre a área original do bioma (percentual)Organizacoes no registro corporativo voluntario (organizacoes)
variação 0,861nível 0,935n = 17MapBiomas Cobertura e Uso da Terra, 30 mRPE

A agenda e o clima medido

Os pares que envolvem a contagem de itens de agenda governamental da PNMC. Eles são os mais tentadores da base e os que exigem mais cuidado: a série tem onze anos, termina em 2020, e o que a derruba no fim é uma decisão política, e não o clima. Ler aqui uma resposta do governo ao tempo seria inverter o que a fonte diz.

  • Itens de agenda governamental da PNMC × Precipitacao anual acumulada no Brasil

    2010–2020 · n=11

    variação 0,778nível 0,609
  • Dias secos no ano × Itens de agenda governamental da PNMC

    2010–2020 · n=11

    variação -0,776nível -0,75
  • Itens de agenda governamental da PNMC × Media anual da maxima diaria no Brasil

    2010–2020 · n=11

    variação -0,747nível -0,704
  • Dias com chuva acima de 20 mm × Itens de agenda governamental da PNMC

    2010–2020 · n=11

    variação 0,726nível 0,393
  • Dias com maxima acima de 35 graus × Itens de agenda governamental da PNMC

    2010–2020 · n=11

    variação -0,706nível -0,63
  • Área queimada × Itens de agenda governamental da PNMC

    2010–2020 · n=11

    variação -0,69nível -0,447
  • Focos de calor detectados por satélite × Itens de agenda governamental da PNMC

    2010–2020 · n=11

    variação -0,683nível -0,219
  • Itens de agenda governamental da PNMC × Elevação do nível do mar

    2010–2020 · n=11

    variação -0,664nível -0,819

Índice construído contra evento registrado

Doze índices de risco municipal, construídos pelo arcabouço do IPCC AR5, contra a contagem de desastres reconhecidos em cada município. São 5.202 municípios com as duas coisas, e é o único cruzamento desta base com amostra grande o bastante para que o coeficiente diga alguma coisa.

correlação entre índice de risco e desastres reconhecidos, por município

Dois coeficientes por índice: sobre a contagem como ela é, e sobre o logaritmo dela. A contagem é muito assimétrica, com a maioria dos municípios em poucos desastres e alguns em dezenas, e sem o logaritmo a cauda decide o número sozinha. Todos os doze ficam entre −0,21 e +0,15.

  • Integridade do bioma0.202
  • Estresse hídrico0.143
  • Leishmaniose visceral0.109
  • Disponibilidade de alimentos0.106
  • Arboviroses dengue, zika e chikungunya0.066
  • Segurança alimentar0.050
  • Acesso à energia elétrica0.034
  • Inundações, enxurradas e alagamentos0.029
  • Disponibilidade de energia elétrica0.028
  • Malária0.021
  • Deslizamento de terra0.014
  • Leishmaniose tegumentar americana0.000

Os doze coeficientes ficam perto de zero. O maior em valor absoluto é o do índice de integridade do bioma, com −0,20 sobre o logaritmo; o de deslizamento fica em +0,01 e o de inundação em −0,03.

Isso não reprova o índice nem valida a contagem. As duas coisas medem objetos diferentes: o índice é prospectivo e é construção, combinando exposição, sensibilidade e capacidade adaptativa num número entre 0 e 1; a contagem é de protocolo reconhecido no sistema federal, e não de evento ocorrido, e depende de o município decretar situação de emergência. Município com menos capacidade administrativa registra menos, e essa mesma capacidade entra no cálculo do índice.

O que o resultado sustenta é uma pergunta: se o índice de risco e o registro de desastre não se acompanham em 5,2 mil municípios, então ao menos um dos dois não está medindo o que a leitura corrente supõe. Responder qual exige comparar tipo de risco com tipo de desastre, e essa comparação está na seção seguinte.

O mesmo confronto, com os tipos casados

A contagem de desastre usada acima junta todos os grupos num número só, e por isso o risco de deslizamento estava sendo confrontado com decreto de seca. Os decretos do Atlas Digital de Desastres foram reabertos em três séries pela classificação COBRADE da própria fonte, e cada índice de risco passou a ser confrontado com o grupo que lhe corresponde: deslizamento e inundação contra o decreto hidrológico, seca, água e alimento contra o climatológico.

coeficiente pareado e coeficiente grosso, por índice de risco

A barra é o coeficiente com os tipos casados; o número entre parênteses é o mesmo cálculo sem casar, nos mesmos municípios. Onde o pareado é maior, casar o tipo recuperou sinal que a contagem junta escondia. Os dois são sobre o logaritmo da contagem, pela mesma assimetria da seção anterior.

  • Segurança alimentar0.237
  • Integridade do bioma0.214
  • Estresse hídrico0.169
  • Deslizamento de terra0.131
  • Disponibilidade de alimentos0.070
  • Inundações, enxurradas e alagamentos0.032

Casar o tipo move quatro dos seis coeficientes, e move mais onde a contagem junta era mais desproporcional. O risco de deslizamento sai de +0,014 para +0,131 quando deixa de ser confrontado com seca e passa a ser confrontado com o decreto hidrológico, que inclui movimento de massa. O risco de segurança alimentar sai de +0,050 para +0,237, o maior valor positivo da base. O de inundação sai de −0,029 para +0,032, o que troca o sinal sem sair da vizinhança do zero.

Duas leituras cabem no resultado, e a base não decide entre elas. A primeira: parte do descolamento da seção anterior vinha do instrumento de comparação, e não dos dois objetos comparados. A segunda: mesmo pareado, o maior coeficiente é +0,24, e um coeficiente desse tamanho descreve tendência num conjunto de 5,5 mil municípios sem descrever nenhum município em particular.

O índice de integridade do bioma fica onde estava, em −0,21, e é o único que quase não se move com o pareamento. O sinal negativo se mantém: municípios com bioma mais íntegro registram menos decreto climatológico. A contagem continua sendo de protocolo, e a capacidade administrativa que decide se um decreto é emitido continua entrando no cálculo do índice, de modo que o pareamento corrige o instrumento sem retirar essa circularidade.

O mesmo confronto, agora no tempo

As duas seções acima são de corte transversal: um ponto por município, num ano só. Elas perguntam se decreto e risco se distribuem juntos no espaço. Falta a outra metade: se o decreto acompanha, ano a ano, a medida física do fenômeno que ele diz registrar. A contagem de decretos soma o país em cada ano, e a medida física vem do World Bank Climate Change Knowledge Portal, que é outra fonte e não depende de nenhum município formalizar nada.

decreto contra a medida física do fenômeno, 1991–2023

A barra é o coeficiente sobre a VARIAÇÃO de um ano para o outro, e é ele o número da leitura. O coeficiente sobre o nível vai na tabela marcado como contaminado: a contagem de decretos sobe ao longo da série em parte porque o registro melhorou, e as séries do CCKP não têm essa tendência administrativa, de modo que confrontar os níveis mediria sobretudo isso.

  • Dias com chuva acima de 20 mm0.482
  • Precipitacao anual acumulada no Brasil0.394
  • Precipitacao anual acumulada no Brasil0.371
  • Área queimada0.347
  • Maior acumulado de chuva em cinco dias0.299
  • Dias com maxima acima de 35 graus0.277
  • Maior sequencia de dias secos do ano0.175

O decreto acompanha o tempo. Quando o Brasil tem mais dias de chuva forte do que no ano anterior, há mais decreto hidrológico do que no ano anterior, com coeficiente de +0,48 em 32 variações anuais. Quando chove menos que no ano anterior, há mais decreto climatológico, com −0,39. A área queimada anda com o decreto climatológico em +0,35 na variação, e só +0,13 no nível, o que situa a relação no movimento de curto prazo e fora da tendência.

Números maiores existem nesta base, e quase todos são de pares que compartilham a fonte, a derivação ou apenas a tendência. O que sustenta estes seis é outra coisa: o mecanismo está escrito antes do cálculo, os dois lados vêm de fontes independentes, e o coeficiente sobrevive depois de retirada a tendência. Chuva forte e decreto de enxurrada não são a mesma medida vista duas vezes.

Isso muda a leitura das duas seções anteriores. A contagem de decretos responde ao que aconteceu no ano, e o coeficiente perto de zero contra o índice de risco não se explica dizendo que o registro administrativo é ruído. A distância fica do lado do índice, que é prospectivo e é construção: ele descreve quem está exposto, e não quem foi atingido, e as duas coisas podem divergir sem que nenhuma das duas esteja errada.

Uma coisa que este bloco não afirma: ele não mede evento. Continua contando decreto, e a melhora do registro ao longo do século continua dentro do número, ainda que retirada da variação. O outro limite, o de somar o país inteiro em cada ano, é o assunto da seção seguinte.

O mesmo confronto dentro de cada estado

A soma nacional junta uma seca no Nordeste e uma enchente no Sul no mesmo total, e as duas se anulam. Quatro séries do World Bank CCKP têm recorte por estado, e o decreto municipal soma por estado sem inventar nada; a ponte entre o nome do estado no CCKP e a sigla do município vem do cadastro do IBGE. Entra a unidade federativa com quinze anos ou mais em comum e dez variações anuais consecutivas.

Desastre climatologico registrado por municipio × Precipitacao anual acumulada no Brasil

A barra sai do meio: para a esquerda quando o coeficiente é negativo, para a direita quando é positivo, e o sinal continua escrito no número à direita. O confronto nacional deste par dá -0,394, e as 16 unidades federativas com dado suficiente vão de -0,894 a 0,03.

  • CE · Nordeste-0.894
  • PB · Nordeste-0.845
  • AM · Norte-0.785
  • RN · Nordeste-0.538
  • PE · Nordeste-0.508
  • MG · Sudeste-0.460
  • SE · Nordeste-0.416
  • BA · Nordeste-0.382
  • PI · Nordeste-0.317
  • MT · Centro-Oeste-0.290
  • SC · Sul-0.236
  • RS · Sul-0.207
  • PR · Sul-0.168
  • AL · Nordeste-0.130
  • ES · Sudeste-0.065
  • SP · Sudeste0.030
nacional -0,39416 unidadeswb_cckp

Desastre hidrologico registrado por municipio × Precipitacao anual acumulada no Brasil

A barra sai do meio: para a esquerda quando o coeficiente é negativo, para a direita quando é positivo, e o sinal continua escrito no número à direita. O confronto nacional deste par dá 0,371, e as 24 unidades federativas com dado suficiente vão de 0,024 a 0,774.

  • PR · Sul0.024
  • RO · Norte0.193
  • GO · Centro-Oeste0.242
  • MS · Centro-Oeste0.299
  • TO · Norte0.301
  • MT · Centro-Oeste0.348
  • AP · Norte0.359
  • PA · Norte0.397
  • SP · Sudeste0.400
  • MG · Sudeste0.451
  • PI · Nordeste0.471
  • AC · Norte0.484
  • AM · Norte0.508
  • ES · Sudeste0.536
  • BA · Nordeste0.543
  • MA · Nordeste0.546
  • RS · Sul0.547
  • RJ · Sudeste0.565
  • SC · Sul0.600
  • AL · Nordeste0.602
  • CE · Nordeste0.654
  • PE · Nordeste0.671
  • PB · Nordeste0.671
  • RN · Nordeste0.774
nacional 0,37124 unidadeswb_cckp

Desastre climatologico registrado por municipio × Maior sequencia de dias secos do ano

A barra sai do meio: para a esquerda quando o coeficiente é negativo, para a direita quando é positivo, e o sinal continua escrito no número à direita. O confronto nacional deste par dá 0,175, e as 16 unidades federativas com dado suficiente vão de -0,516 a 0,643.

  • SP · Sudeste-0.516
  • SC · Sul-0.375
  • AL · Nordeste-0.274
  • PE · Nordeste-0.149
  • SE · Nordeste-0.107
  • RN · Nordeste-0.041
  • PR · Sul0.057
  • PI · Nordeste0.060
  • BA · Nordeste0.164
  • PB · Nordeste0.200
  • MT · Centro-Oeste0.201
  • MG · Sudeste0.316
  • RS · Sul0.529
  • CE · Nordeste0.604
  • ES · Sudeste0.608
  • AM · Norte0.643
nacional 0,17516 unidadeswb_cckp

Desastre meteorologico registrado por municipio × Dias com maxima acima de 35 graus

A barra sai do meio: para a esquerda quando o coeficiente é negativo, para a direita quando é positivo, e o sinal continua escrito no número à direita. O confronto nacional deste par dá 0,277, e as 11 unidades federativas com dado suficiente vão de -0,473 a 0,439.

  • PA · Norte-0.473
  • RS · Sul-0.325
  • SP · Sudeste-0.197
  • MT · Centro-Oeste-0.173
  • SC · Sul-0.121
  • PR · Sul-0.012
  • ES · Sudeste0.008
  • RJ · Sudeste0.043
  • MG · Sudeste0.054
  • BA · Nordeste0.224
  • MS · Centro-Oeste0.439
nacional 0,27711 unidadeswb_cckp

A chuva média é a medida que funciona, e ela funciona nos dois sentidos. Contra o decreto climatológico, que é seca, o coeficiente nacional é −0,39 e dentro do Ceará chega a −0,894, com a Paraíba em −0,845: naqueles estados, a variação da chuva de um ano para o outro acompanha quase toda a variação do decreto de seca. Contra o decreto hidrológico, a mesma série de chuva dá +0,37 no país e +0,774 no Rio Grande do Norte, com Pernambuco e Paraíba em +0,671.

Os dois sinais opostos vêm do mesmo número físico. É a mesma série de chuva do mesmo estado, e ela desce com um registro e sobe com o outro, porque os dois registros contam coisas diferentes. Antes da separação por tipo, esses dois movimentos entravam numa contagem só e se cancelavam; era isso que mantinha o coeficiente nacional pequeno.

As outras duas medidas físicas não se sustentam no estado, e isso fica publicado junto. A sequência de dias secos contra o decreto climatológico troca de sinal conforme a unidade, de −0,516 em São Paulo a +0,643 no Amazonas; os dias acima de 35 graus contra o decreto meteorológico vão de −0,473 no Pará a +0,439 no Mato Grosso do Sul. Duas medidas do mesmo fenômeno concordando com o registro seria confirmação; uma concordando e outra não é o estado em que a base está.

O par mais forte da seção anterior fica de fora desta: Área queimada, Maior acumulado de chuva em cinco dias, Dias com chuva acima de 20 mm existem nesta base só no recorte nacional. A fonte publica parte delas por unidade subnacional, e ingerir esse recorte é o que faltaria para completar a leitura.

A mesma seca contra duas réguas físicas

O decreto de origem climatológica é confrontado acima com duas medidas diferentes do mesmo fenômeno, e as duas cobrem os mesmos estados: a CHUVA ANUAL, que é quanto choveu, e os DIAS SECOS CONSECUTIVOS, que é quanto tempo se passou sem chover. A segunda parece a mais apropriada para seca, porque déficit hídrico é acúmulo de dias sem água e não falta de milímetro no total do ano. Postas lado a lado, elas discordam.

quantos estados respondem com o sinal esperado, por régua

O sinal ESPERADO é o negativo para a chuva, porque menos chuva deveria dar mais decreto de seca, e o positivo para os dias secos, porque mais dias sem chuva deveriam dar mais decreto. As duas barras contam, em cada régua, quantos dos estados respondem assim.

  • chuva anual15
  • dias secos consecutivos10

A régua que parece mais apropriada é a que funciona pior. A CHUVA ANUAL responde com o sinal esperado em 15 dos 16 estados: onde choveu menos que no ano anterior, houve mais decreto de seca que no ano anterior. Os DIAS SECOS CONSECUTIVOS respondem com o sinal esperado em apenas 10 dos 16, e o restante responde ao contrário, com estado em que mais dias sem chuva acompanham MENOS decreto.

Uma explicação possível, e a plataforma não tem como escolher entre ela e as outras: o decreto de seca responde a quebra de safra e a falta de água para abastecimento, e as duas coisas dependem de QUANDO a chuva faltou, e não só de por quantos dias seguidos. Um veranico de trinta dias no meio da estação chuvosa arrasa a lavoura; os mesmos trinta dias secos na estação seca são o esperado e não geram decreto nenhum. A contagem de dias consecutivos trata os dois casos como iguais, e o total anual, por acidente, se aproxima mais do que o decreto registra.

O que esta seção mostra, e vale para toda a página, é que a escolha da régua física decide o resultado ANTES de qualquer conta. Duas medidas do mesmo fenômeno, nos mesmos estados e nos mesmos anos, devolvem conclusões opostas sobre a mesma relação. Quem publica só uma das duas publica uma escolha, e não um achado.

O achado posto à prova por outra fonte

As seções acima usam a chuva do World Bank CCKP, que é reanálise em grade. A base guarda uma segunda medida de chuva que nenhuma página usava: 8.506 observações de 628 estações do INMET. Repetir o confronto com ela é a única oportunidade desta base de pôr um achado à prova, porque 92,2% das séries com dado têm fonte única e não admitem confronto.

chuva do INMET contra decreto hidrológico, por estado

A barra é o coeficiente com a chuva do INMET; o número entre parênteses no ponteiro é o mesmo confronto com o CCKP, no mesmo estado. O PAINEL DE ESTAÇÕES É FIXO: entram só as que publicaram em TODOS os anos da janela, porque a rede do INMET cresce ao longo do período e a média de um conjunto que muda mede a rede, e não a chuva.

  • RS · Sul0.758
  • ES · Sudeste0.597
  • DF · Centro-Oeste0.587
  • SP · Sudeste0.575
  • PR · Sul0.543
  • RJ · Sudeste0.490
  • MG · Sudeste0.488
  • GO · Centro-Oeste0.486
  • SC · Sul0.476
  • BA · Nordeste0.222
9/9 concordam em sinal10/10 positivos no INMETinmet

chuva do INMET contra decreto climatológico, por estado

A barra é o coeficiente com a chuva do INMET; o número entre parênteses no ponteiro é o mesmo confronto com o CCKP, no mesmo estado. O PAINEL DE ESTAÇÕES É FIXO: entram só as que publicaram em TODOS os anos da janela, porque a rede do INMET cresce ao longo do período e a média de um conjunto que muda mede a rede, e não a chuva.

  • DF · Centro-Oeste0.686
  • GO · Centro-Oeste0.430
  • ES · Sudeste0.075
  • PR · Sul0.047
  • BA · Nordeste0.035
  • RJ · Sudeste-0.092
  • SP · Sudeste-0.133
  • RS · Sul-0.185
  • MG · Sudeste-0.192
  • SC · Sul-0.391
3/7 concordam em sinal5/10 positivos no INMETinmet

A enchente replica e a seca não. Com a chuva do INMET, os dez estados que passam no critério dão coeficiente positivo contra o decreto hidrológico, e nos nove em que os dois lados existem o sinal é o mesmo do CCKP. Contra o decreto climatológico o INMET devolve cinco positivos e cinco negativos, e só três dos sete comparáveis mantêm o sinal.

A diferença entre os dois casos tem explicação no que cada medida alcança. A enchente é evento de dias, e uma estação registra bem a chuva que a causou. A seca é déficit acumulado sobre área e sobre tempo, e a média de três a vinte e três pontos num estado inteiro não a descreve; a reanálise em grade, que cobre o território todo, descreve melhor. O que a réplica mostra é onde a chuva de estação basta e onde ela não basta.

O custo do critério fica declarado, e ele é alto. Exigir estação contínua em todos os anos derruba a cobertura de vinte e seis estados para dez, e o Ceará, que é o caso mais forte do confronto original com −0,894, NÃO sobrevive: a rede do estado não tem três estações com série contínua longa. A réplica confirma onde pode e se cala onde não alcança.

A régua errada e a régua da bacia

A vazão média anual de cinco estações da ANA é a série hidrológica mais longa desta base, com 219 anos-estação entre 1969 e 2025. Ela permite demonstrar uma decisão de método: a mesma vazão sai confrontada com a chuva NACIONAL e com a chuva dos estados que cobrem a bacia de contribuição da estação. A régua nacional está publicada por ser a errada.

a mesma vazão contra duas réguas de chuva

Duas barras por estação, na variação de um ano para o outro: em ciano a chuva média dos estados da bacia, em grafite a chuva média do Brasil. A correspondência entre estação e estados da bacia é DECLARADA à mão, porque o recorte da série carrega o rio e não a unidade federativa. A chuva da bacia entra como média entre estados, e não como soma: milímetro de chuva não se soma entre territórios.

  • Óbidos · bacia0.582
  • Óbidos · nacional0.346
  • Jatuarana · bacia0.652
  • Jatuarana · nacional0.284
  • Abunã · bacia0.115
  • Abunã · nacional0.020
  • Paratinga · bacia0.565
  • Paratinga · nacional0.120
  • Passagem BR-080 · bacia0.475
  • Passagem BR-080 · nacional0.308
5/5 com a bacia acima da nacionalmediana 0,284 0,565ana_hidroweb

vazão da estação contra decreto de seca dos estados da bacia

O decreto é CONTAGEM e se soma entre estados, ao contrário da chuva. Duas das cinco estações ficam de fora por não terem dez variações anuais em comum com a série de decretos, e a falta aparece na tabela. Das três que entram, a de Paratinga é a única com trinta variações; as duas amazônicas têm onze e doze, e um coeficiente sobre tão poucos passos move-se muito com um ano só.

  • Óbidos · AM+PA-0.714
  • Jatuarana · AM-0.636
  • Paratinga · BA+MG-0.596
3/3 com sinal negativo2 sem confronto possível

A chuva do país inteiro não descreve o rio, e a chuva da bacia descreve. Nas 5 estações a régua de bacia devolve coeficiente maior que a nacional, e a mediana passa de 0,284 para 0,565. É o mesmo dado dos dois lados; o que muda é onde a chuva foi medida.

A exceção confirma o mecanismo em vez de contrariá-lo. O Madeira em Abunã fica em 0,115 mesmo com a régua de bacia, e é a estação cuja área de contribuição está em maior parte fora do Brasil: acima de Abunã o rio recolhe a água dos Andes bolivianos, que têm regime de chuva próprio. Nenhum estado brasileiro mede a chuva que enche aquele rio, e o coeficiente diz isso.

Contra o decreto de seca o sinal é negativo nas três estações que admitem o confronto: quando a vazão cai, a contagem de decretos nos estados da bacia sobe. O caso mais firme é o São Francisco em Paratinga, com -0,596 sobre trinta variações. Os dois amazônicos são mais fortes em número e mais frágeis em base, porque a série de decretos só cobre onze e doze variações ali. Nada disso é causa: a chuva move os dois lados, e o decreto depende também de quem o pede, como a seção registro de desastre detalha.

As cinco séries de vazão, ano a ano, estão em estado físico , junto com os anos mais magros de cada estação.

Todos os pares

Ordenados pela força na variação, que é a medida que resta depois de retirada a tendência. As marcas em rosa indicam quando o par tem origem estrutural: mesma fonte publicando as duas séries, fontes ligadas no grafo de dependência, ou séries do mesmo domínio, que costumam medir facetas da mesma coisa.

241 pares

Mostrando os 60 primeiros de 241. O arquivo com todos está na página de dados abertos.