Desastres
115.750 observações de desastre, quase todas na contagem por município: 50.945 registros em 2.497 municípios, de 1928 a 2026.
O que o desastre custa
Morte, pessoa afetada e prejuízo declarado, cada um repartido pelos tipos de desastre que a fonte distingue. O controle de nível escolhe entre o total e a repartição.
▸ Mortes em desastre registrado (mortes/ano)
Desenho de 3 de 3 recortes, os de maior valor no último ano.
▸ Pessoas afetadas por desastre registrado (pessoas/ano)
Desenho de 3 de 3 recortes, os de maior valor no último ano.
▸ Dano economico de desastre registrado (USD mi)
Desenho de 3 de 3 recortes, os de maior valor no último ano.
Os três grupos, separados
A contagem por município vinha num número só que fundia os grupos. Os decretos foram reabertos pela classificação COBRADE da própria fonte, em três séries: climatológico, que é sobretudo estiagem e seca; hidrológico, que reúne enxurrada, inundação, alagamento e movimento de massa; e meteorológico, que reúne vendaval, ciclone, granizo e temperatura extrema. O grupo Outros, com 2.248 registros que a fonte não classifica em grupo climático, fica de fora.
▸ decretos por ano, somados no país, por grupo
A soma do país em cada ano, e não a contagem de um município. A subida ao longo da série mistura duas coisas que a base não separa: mais município registrando e mais decreto por município. A tabela traz o segundo número ao lado do primeiro, com quantos municípios entraram em cada ano.
O climatológico é o maior em decretos acumulados, com 37.260 em 4.046 municípios; o hidrológico soma 29.353 e alcança 4.708 municípios, o maior espalhamento dos três; o meteorológico soma 7.330 em 2.079. O que a separação mostra é que os três não sobem juntos. Os anos altos do hidrológico são 2004, 2009, 2022 e 2023; os do climatológico são 2020, 2023 e 2024, e 2011 é o ano mais baixo dele desde 1996, com 280 decretos, contra 1.221 do hidrológico no mesmo ano.
Somar os três num número só apaga essa discordância de calendário, e é o que a contagem junta fazia: um ano de seca no Nordeste e um ano de enchente no Sudeste entravam no mesmo total, e o total subia nos dois casos sem dizer qual dos dois aconteceu.
A separação foi feita para uma pergunta que a contagem junta não deixava fazer: se o índice de risco de deslizamento acompanha o decreto que registra movimento de massa, e não o decreto de seca. O confronto pareado está na página de correlações, e o coeficiente do deslizamento passa de +0,01 para +0,13 quando o tipo é casado. ver o confronto pareado
Uma diferença entre os grupos fica registrada e não é explicada aqui: a proporção de decretos que chegam a reconhecimento federal cai do climatológico para o meteorológico, de 57% para 40% e depois 29%. As três séries contam os dois estados juntos, porque a diferença entre decreto entrado e decreto homologado é de trâmite, e um decreto que não virou reconhecimento pode ter sido indeferido ou pode estar na fila.
Onde eles são registrados
A contagem por município está no mapa da página de território, somada por unidade federativa, com o número de municípios que entraram em cada soma.
O alerta, a ocorrência e o decreto
Tudo nesta página até aqui conta DECRETO: o ato pelo qual um município declara emergência ou calamidade e o governo federal reconhece. O Cemaden conta duas outras coisas, e nenhuma delas é a mesma. Conta ALERTA, que é aviso emitido antes do evento pela rede de monitoramento, e conta OCORRÊNCIA, que é o evento observado depois. Três instrumentos, três números, e a diferença entre eles não é erro de nenhum.
CADA UM DEPENDE DE UMA COISA DIFERENTE, e é isso que decide o que cada número mede. O decreto depende de o município FORMALIZAR, e município sem estrutura administrativa não aparece por mais atingido que esteja. O alerta depende de o município ser MONITORADO, e o Cemaden passou de 958 municípios monitorados em 2020 para 1.133 em 2025; mais alerta num ano pode ser mais cobertura, e não mais evento. A ocorrência depende de a rede REGISTRAR o que aconteceu, e o Cemaden registrou 1.493 eventos em 2025, com cerca de 43% deles no Sudeste e predomínio de origem hidrológica sobre geológica.
O RELATÓRIO DO CEMADEN CITA UM TERCEIRO LEVANTAMENTO, e a base não o guarda como dado por isso mesmo: é citação dentro de citação. Segundo o Programa Maré de Ciência da UNIFESP, reproduzido no relatório, o Brasil registrou 7.539 desastres climáticos entre 2020 e 2023, contra 2.335 na década de 1990, com a proporção de municípios afetados passando de 27% para 83%. Esses números descrevem o mesmo país e não são comparáveis linha a linha com o decreto contado aqui, porque a definição de desastre e a janela são outras.
O QUE FALTA PARA O CONFRONTO SER FEITO DE VERDADE é a série anual de alertas do Cemaden, que o relatório desenha em figura de 2011 a 2025 e não publica em tabela. A interface de dados do Cemaden existe, e a página que documenta a sua interface de programação foi instalada sem especificação: ela aponta para o exemplo de demonstração da própria ferramenta. Enquanto isso não mudar, o que esta seção pode fazer é nomear os três instrumentos e dizer de que cada um depende, que já evita a confusão mais comum ao ler qualquer um deles sozinho.
Como um desastre entra no registro
O número de desastres de um município não conta eventos: conta DECRETOS. O município declara situação de emergência ou estado de calamidade, o registro entra no sistema federal com um código da Codificação Brasileira de Desastres, e a União homologa ou não. Cada etapa filtra, e a classificação decide em que grupo o evento cai antes de qualquer conta.
▸ as tipologias do COBRADE, e quanto de cada uma a União homologou
A barra é o total de decretos daquela tipologia entre 1991–2025, e a porcentagem ao lado é quanto disso a União homologou. Ela vai de 10,8% em Movimento de Massa a 61,4% em Estiagem e Seca: o mesmo registro não vale a mesma coisa conforme o tipo de evento.
- Estiagem e Seca33.493
- Enxurradas9.854
- Chuvas Intensas9.154
- Inundações6.430
- Vendavais e Ciclones4.885
- Incêndio Florestal3.419
- Granizo2.284
- Alagamentos2.144
- Movimento de Massa1.771
- Outros1.038
- Erosão786
- Doenças infecciosas275
A base guarda três dos quatro grupos que o Atlas classifica. O climatológico reúne estiagem e seca, incêndio florestal, onda de frio, onda de calor e baixa umidade; o hidrológico reúne enxurradas, chuvas intensas, inundações, alagamentos, movimento de massa, e é aí que o deslizamento foi parar, dentro do grupo da água e não num grupo geológico próprio; o meteorológico reúne vendavais e ciclones, granizo, tornado, onda de frio. O quarto grupo, que o Atlas chama de Outros, junta 5 tipologias e 2.248 decretos que a própria fonte não põe em nenhum grupo climático, de erosão a doença infecciosa e rompimento de barragem, e somá-los a qualquer um dos três seria escolher por conta própria.
A classificação tem costuras, e elas ficam visíveis na tabela. Onda de frio aparece duas vezes, no grupo climatológico e no meteorológico, sob códigos diferentes; onda de calor e baixa umidade aparece no climatológico e também no grupo Outros. O mesmo perigo, portanto, cai em grupos distintos conforme o código que o município usou ao registrar. Esta base transcreve a classificação como ela está publicada, sem juntar as duas pontas, porque juntá-las seria substituir o critério da fonte pelo nosso.
A homologação é o segundo filtro, e o mais desigual. A estiagem e a seca chegam a 61,4% de decretos homologados pela União, e o movimento de massa fica em 10,8%. A diferença mede o trâmite, e não o dano: um decreto pode ter sido indeferido, e pode estar na fila. A base conta os dois estados num número só, porque separá-los guardaria uma diferença de trâmite como se fosse diferença de natureza, e porque a fila de hoje é o reconhecimento de amanhã.
Onde cada tipo é registrado no território
Os três grupos não se distribuem do mesmo jeito pelo país, e a diferença entre eles é grande o bastante para dispensar coeficiente. O seletor troca o tipo; a tabela traz os três de uma vez.
▸ decretos acumulados por região, no tipo escolhido
A barra é a soma de todos os decretos daquele tipo na região, ao longo de toda a série, e a porcentagem é a fatia da região no total nacional do tipo. A comparação é entre REGIÕES DENTRO DO MESMO TIPO: comparar tipos entre si na mesma barra confundiria a frequência do perigo com a distribuição dele.
- Nordeste21.561
- Sul6.647
- Sudeste5.359
- Centro-Oeste2.144
- Norte1.549
Os três grupos desenham três países diferentes. O climatológico, que é sobretudo estiagem e seca, tem 57,9% do registro nacional no Nordeste. O meteorológico, que é vendaval, granizo e tornado, tem 71,6% no Sul. O hidrológico é o mais espalhado, e ainda assim 65,8% dele está entre Sul e Sudeste.
Esta distribuição mede três coisas ao mesmo tempo, e a página não consegue separá-las: onde o perigo ocorre, quanta gente e quanto patrimônio ele encontra pela frente, e quanto de estrutura administrativa o município tem para transformar o evento em decreto. Um município pequeno que não formaliza desaparece do mapa mesmo tendo sofrido, e por isso o registro sempre subestima a periferia da capacidade estatal.
Onde o risco é maior, o desastre foi mais decretado?
O índice do AdaptaBrasil é prospectivo: diz o risco que um município tem de sofrer determinado impacto. O registro do Atlas é retrospectivo: diz o que já foi decretado. A pergunta que junta os dois é estreita e útil: nos municípios que o índice aponta como os de MAIOR risco, o desastre correspondente foi de fato decretado mais vezes que no resto do país?
▸ decretos nos 100 municípios de maior risco, contra a mediana do país
A barra é quantas vezes a mediana de decretos do topo de risco supera a mediana nacional. Um vale um quer dizer que o topo decreta tanto quanto qualquer município; dois quer dizer o dobro. A MEDIANA, e não a média: a contagem de decreto é muito assimétrica, e um único município que decretou trinta vezes moveria a média de um grupo de cem.
- Segurança alimentar · Climatologico6,67×
- Estresse hídrico · Climatologico4×
- Disponibilidade de alimentos · Climatologico3,33×
- Deslizamento de terra · Hidrologico2,5×
- Inundações, enxurradas e alagamentos · Hidrologico1,17×
- Integridade do bioma · Climatologico0,67×
A resposta é sim, e ela é forte onde o índice fala de seca. Nos 100 municípios de maior risco de segurança alimentar, a mediana é de 20 decretos climatológicos, contra 3 no país inteiro: 6,67 vezes mais. Só 3 dos 100 nunca decretaram. Quer dizer que o índice, nessa ponta, aponta para onde a seca de fato foi reconhecida pelo poder público.
E aqui está o caso concreto, que uma tabela de coeficientes esconde. Os municípios em que o índice de segurança alimentar está no topo são do semiárido baiano e do sertão do Piauí, e o registro acompanha: Matina, BA, com 21 decretos climatológicos; Malhada, BA, com 17; Betânia do Piauí, PI, com 22. O índice apontou e o decreto confirmou, um a um.
Nem todo índice se comporta assim, e as exceções são as que ensinam. O risco de inundação quase não separa: os 100 municípios de maior risco têm mediana de 3.5 decretos hidrológicos contra 3 no país, 1,17 vez. E o de integridade de bioma INVERTE: o topo dele tem mediana de 2 contra 3 do país, e 17 dos 100 nunca decretaram nada.
O índice mede exposição de gente, e o decreto mede capacidade de formalizar
vale para os dois casos
O índice de integridade de bioma é alto onde há bioma nativo extenso, quer dizer, na Amazônia e no Cerrado profundo. Ali os municípios são grandes, pouco povoados e com estrutura administrativa pequena, e decretam menos de tudo: o decreto exige defesa civil montada, laudo e trâmite. A inversão não diz que o risco protege; diz que a medida do risco e a medida do registro dependem de coisas diferentes.A inundação é local e o decreto é municipal
explica o quase empate
Uma seca cobre o município inteiro e dura meses, e por isso o prefeito decreta. Uma inundação atinge alguns bairros e passa em dias, e uma parte dela se resolve sem decreto. O índice de inundação aponta o município em que a mancha existe; o decreto conta quando a mancha foi grande o bastante para virar ato administrativo. As duas coisas são verdadeiras e não medem a mesma escala.O índice olha para a frente e o decreto olha para trás
limite de origem
Cada índice do AdaptaBrasil tem um ano só, entre 2015 e 2020, e projeta risco futuro a partir de exposição, sensibilidade e capacidade adaptativa. O registro do Atlas acumula decreto de 1991 a 2025. Um índice que acerte perfeitamente o risco de 2030 pode não ter relação com o que foi decretado nos anos noventa, e isso não seria defeito dele.O coeficiente sobre o país inteiro e o topo da distribuição respondem coisas diferentes
por que os dois números divergem
O coeficiente pareado do risco de segurança alimentar contra o registro climatológico é 0,237, que qualquer manual chamaria de fraco. E o topo dele decreta 6,67 vezes a mediana do país. Não há contradição: o coeficiente mede a relação ao longo de TODA a distribuição, onde a maioria dos municípios tem risco médio e decreto baixo, e o topo mede só a ponta. Para política pública, que age sobre a ponta, é a segunda conta que responde.
Todas as séries do domínio
Com o período que cada uma cobre, quantas fontes a sustentam e por onde chegar nela. A ordem é pelo número de observações. Séries sem painel próprio nesta página aparecem aqui, porque não ter gráfico é diferente de não existir.
Desastres registrados
1928–2026 · 50.945 obs
contagem2 fontes5.228 recortesDepende de reconhecimento formal; subnotificação onde o município não formaliza.Desastre climatologico registrado por municipio
1991–2025 · 34.740 obs
contagemfonte única4.046 recortesEstiagem, seca e incendio florestal. Conta DECRETO, e nao evento: mede reconhecimento formal, que difere de ocorrencia, e depende de o municipio formalizar. Serie separada por tipo para que o confronto com indice de risco possa ser pareado: risco de estresse hidrico contra seca, e nao contra qualquer desastre.Desastre hidrologico registrado por municipio
1991–2025 · 22.337 obs
contagemfonte única4.708 recortesEnxurrada, inundacao, alagamento e movimento de massa. Conta DECRETO, e nao evento. E a serie que pareia com risco_inundacao e risco_deslizamento; o movimento de massa vem dentro do grupo hidrologico na classificacao COBRADE, e nao num grupo geologico proprio.Desastre meteorologico registrado por municipio
1991–2025 · 6.178 obs
contagemfonte única2.079 recortesVendaval, ciclone, granizo e temperatura extrema. Conta DECRETO, e nao evento.Dano economico de desastre registrado
1964–2026 · 543 obs
USD mifonte única16 recortesDano DECLARADO, e nao apurado: muitos eventos entram sem valor nenhum, e a serie mede o que foi estimado e reportado. A metrica separa o dolar corrente do ano e o ajustado por indice de preco pelo proprio CRED. O EM-DAT SO REGISTRA O QUE PASSA DO LIMIAR: 10 mortos, 100 afetados, declaracao de emergencia ou apelo internacional. O que fica abaixo nao existe nesta base, e por isso ela NAO SE SOMA nem se compara ao Atlas brasileiro, que registra reconhecimento formal de municipio. A COBERTURA CRESCE COM O REGISTRO, e nao com o desastre; ler a serie longa como aumento de desastre confunde melhora de notificacao com piora do clima. O recorte separa o grupo e o subgrupo, e GEOFISICO e BIOLOGICO NAO SAO CLIMA, assim como o grupo TECNOLOGICO inteiro.Mortes em desastre registrado
1928–2026 · 532 obs
mortes/anofonte única18 recortesO EM-DAT SO REGISTRA O QUE PASSA DO LIMIAR: 10 mortos, 100 afetados, declaracao de emergencia ou apelo internacional. O que fica abaixo nao existe nesta base, e por isso ela NAO SE SOMA nem se compara ao Atlas brasileiro, que registra reconhecimento formal de municipio. A COBERTURA CRESCE COM O REGISTRO, e nao com o desastre; ler a serie longa como aumento de desastre confunde melhora de notificacao com piora do clima. O recorte separa o grupo e o subgrupo, e GEOFISICO e BIOLOGICO NAO SAO CLIMA, assim como o grupo TECNOLOGICO inteiro.Pessoas afetadas por desastre registrado
1961–2026 · 472 obs
pessoas/anofonte única18 recortesAFETADO E A SOMA de feridos, desabrigados e os que precisaram de assistencia imediata, e a definicao varia entre as fontes primarias que o CRED compila. O EM-DAT SO REGISTRA O QUE PASSA DO LIMIAR: 10 mortos, 100 afetados, declaracao de emergencia ou apelo internacional. O que fica abaixo nao existe nesta base, e por isso ela NAO SE SOMA nem se compara ao Atlas brasileiro, que registra reconhecimento formal de municipio. A COBERTURA CRESCE COM O REGISTRO, e nao com o desastre; ler a serie longa como aumento de desastre confunde melhora de notificacao com piora do clima. O recorte separa o grupo e o subgrupo, e GEOFISICO e BIOLOGICO NAO SAO CLIMA, assim como o grupo TECNOLOGICO inteiro.Municipios monitorados pelo Cemaden
2020–2025 · 2 obs
municipiosfonte únicaMunicipios cobertos pelo monitoramento do Cemaden. E O DENOMINADOR DO ALERTA: o numero de alertas emitidos num ano sobe quando mais municipios passam a ser monitorados, sem que evento nenhum tenha aumentado, e por isso a contagem de alerta nao se le sem esta serie ao lado. E a mesma logica do decreto do Atlas, que depende de o municipio formalizar, aplicada ao outro instrumento.Ocorrencias de desastre registradas pelo Cemaden
2025–2025 · 1 obs
ocorrenciasfonte únicaOcorrencias de desastre efetivamente registradas pelo Cemaden no ano. E INSTRUMENTO DIFERENTE do decreto do Atlas Digital de Desastres: o Cemaden registra o evento observado pela rede de monitoramento, e o Atlas registra o decreto municipal de emergencia ou calamidade reconhecido pelo governo federal. Um evento pode aparecer num e nao no outro, e a diferenca entre os dois nao e erro de nenhum.