Energia
2.935 observações repartem o consumo e a oferta de energia em 25 setores. Ao lado, a geração e a capacidade elétrica por fonte, que é onde a mudança recente aparece primeiro.
O gás de efeito estufa da energia, por setor
Nove setores de produção e uso de energia, do cenário de referência do Plano Decenal de Expansão de Energia 2034, publicado pela EPE em dados abertos. É a única série da base que diz para onde a emissão da energia vai, e é o setor que a projeta sobre si mesmo.
▸ Emissao de GEE da producao e do uso de energia, por setor (MtCO2e/ano)
Os nove setores somam o total da emissão de energia, e por isso podem ser somados entre si, ao contrário da matriz energética das seções abaixo. O setor elétrico reúne autoprodução, Sistema Interligado Nacional e sistemas isolados. Desenho de 9 de 9 recortes, os de maior valor no último ano.
O plano projeta a emissão da energia subindo 19% no decênio, e a repartição diz onde. TRANSPORTES é o maior emissor de longe e o que menos cresce: sobe 12%, porque o etanol, o biodiesel, o combustível de aviação sustentável, o ganho de eficiência e o veículo elétrico compensam parte do aumento de demanda. INDUSTRIAL sobe 20%. O SETOR ELÉTRICO é o que mais cresce, 53%, e o motivo está declarado no caderno de meio ambiente do mesmo plano: a entrada compulsória de térmicas a gás determinada pela Lei 14.182 de 2021.
O próprio plano publicou a conta do contrafactual, e ela é a informação mais útil desta página: numa análise de sensibilidade SEM a entrada compulsória das térmicas a gás ainda não contratadas, a emissão do Sistema Interligado Nacional em 2034 seria 46% menor, e a emissão acumulada do decênio 33% menor. Isto é, quase metade do crescimento projetado do setor elétrico decorre de uma decisão legislativa, e não de restrição técnica.
O PONTO DE PARTIDA DO PLANO NÃO É O QUE FOI MEDIDO, e a diferença viaja para dentro de toda a projeção. Em 2024, único ano em que as duas séries se encontram, o plano parte de 458,4 megatoneladas somando os nove setores, e o SEEG mede 423,7 para o setor de energia no mesmo ano: uma diferença de 34,8, ou 8,2%. Os dois números são ESTIMATIVA, e não medida: o inventário oficial vai até 2022, e nenhuma das duas fontes pode ser conferida contra ele para este ano. O que a comparação mostra é que a trajetória projetada começa acima do que a outra fonte disponível estima, e uma projeção herda a sua origem.
Do outro lado da mesma infraestrutura estão os planos temáticos do Plano Clima que falam dela: energia, indústria e mineração, e transportes. Somados, os três declaram 56 metas de adaptação, das quais 17 trazem número no enunciado. O plano de energia é um dos três, entre os dezesseis, que não tem NENHUMA meta com número. O que o setor projeta emitir está medido; o que ele promete fazer a respeito, em boa parte, não admite ser conferido. As metas estão em o prometido em adaptação .
A matriz por fonte, que é o denominador
Trinta e duas fontes energéticas nomeadas, repartidas em oferta interna, transformação e consumo final, no mesmo cenário do plano. É ela que diz de que fonte vem a energia cuja emissão a seção acima projeta: o mesmo setor emite mais ou menos conforme queime diesel, gás ou etanol.
▸ Matriz energetica por fonte, bloco e setor (mil tep/ano)
OS BLOCOS NÃO SE SOMAM ENTRE SI. Oferta interna, transformação e consumo final descrevem o mesmo energético em três momentos, e somá-los conta a mesma energia três vezes. Escolha um nível por vez. Desenho de 12 de 166 recortes, os de maior valor no último ano. Os outros 154 estão na tabela: ELETRICIDADE, ETANOL ANIDRO E HIDRATADO, PRODUTOS DA CANA, ENERGIA EÓLICA, LICOR PRETO, ÓLEO DIESEL MINERAL….
A fração fóssil do transporte
Parcela da energia consumida no transporte que vem de combustível fóssil, derivada dos combustíveis de primeiro nível do Balanço Energético. É a MEDIDA INDIRETA das duas metas de transporte do Plano Clima, que não apontam para série porque o perímetro setorial do Plano não bate com o do inventário e a reconciliação entre os dois não é publicada.
▸ Fracao fossil da energia consumida no transporte (percentual)
Álcool Etílico Anidro e Hidratado ficam de fora da conta por serem desdobramentos do Álcool Etílico: somá-los contaria o álcool duas vezes e derrubaria a fração fóssil em cerca de dez pontos. A eletricidade conta como não fóssil, o que superestima a fração limpa na medida em que a matriz elétrica não é inteiramente renovável; ela é 0,2% do consumo do setor.
A fração cai de 98,5% em 1970 para 73,9% em 2025, e quase toda a queda aconteceu antes de 2010: de 2010 para cá foram seis pontos e meio em quinze anos. O que substituiu o fóssil foi o álcool e o biodiesel; a eletricidade, que é o que as metas de frota limpa prometem, responde por 0,2% do consumo do setor.
Três coisas que esta razão não mede, e que a meta mede. Ela não sabe quantos quilômetros foram rodados: um ano em que o transporte encolhe aparece igual a um ano em que ele se descarboniza. Ela não sabe a eficiência do veículo, e um litro queimado em motor melhor conta igual. E ela não é emissão: a conversão de energia em tonelada depende do fator de cada combustível, que esta série não aplica.
Consumo final de energia por setor
▸ Consumo final de energia por setor (mil tep/ano)
Desenho de 12 de 25 recortes, os de maior valor no último ano. Os outros 13 estão na tabela: Outros, Não-Ferrosos E Outros Metal., Química, Cimento, Público, Cerâmica….
Oferta interna de energia
▸ Oferta interna de energia (mil tep/ano)
Desenho de 12 de 13 recortes, os de maior valor no último ano. Os outros 1 estão na tabela: Outras Não Renováveis.
Geracao eletrica por fonte
▸ Geracao eletrica por fonte (TWh/ano)
Desenho de 4 de 4 recortes, os de maior valor no último ano.
Capacidade eletrica instalada por fonte
▸ Capacidade eletrica instalada por fonte (MW)
Desenho de 5 de 5 recortes, os de maior valor no último ano.
Todas as séries do domínio
Com o período que cada uma cobre, quantas fontes a sustentam e por onde chegar nela. A ordem é pelo número de observações. Séries sem painel próprio nesta página aparecem aqui, porque não ter gráfico é diferente de não existir.
Matriz energetica por fonte, bloco e setor
2024–2034 · 1.826 obs
mil tep/anofonte única166 recortesMatriz energetica brasileira por fonte, no cenario de referencia do PDE 2034, com 32 fontes nomeadas. O recorte carrega o BLOCO e o setor dentro dele, e OS BLOCOS NAO SE SOMAM ENTRE SI: oferta interna, transformacao e consumo final descrevem o mesmo energetico em tres momentos, e soma-los conta a mesma energia tres vezes. E projecao em todos os anos. E a serie que diz de que fonte vem a energia cuja emissao a serie emissao_energia_setor mede.Consumo final de energia por setor
1970–2025 · 1.456 obs
mil tep/anofonte única26 recortesEnergia que chega ao uso, depois da transformacao; NAO E a oferta interna, que inclui a perda da termeletrica e da refinaria. O recorte carrega a arvore inteira, de CONSUMO FINAL ate o ramo industrial, e SOMAR RECORTES DE NIVEIS DIFERENTES conta a mesma energia varias vezes.Consumo de energia do transporte por combustivel
1970–2025 · 840 obs
mil tep/anofonte única15 recortesO transporte e o maior consumidor final de energia do Brasil e o mais dificil de descarbonizar, porque quase tudo que ele queima e liquido. ALCOOL ETILICO e pai de anidro e hidratado na mesma tabela da fonte: somar os tres conta o alcool duas vezes.Oferta interna de energia
1970–2025 · 784 obs
mil tep/anofonte única14 recortesE TODA a energia que o pais usa, e nao so a eletricidade: inclui o oleo diesel do caminhao e o combustivel da industria. O recorte separa fonte a fonte e traz tambem os dois agregados, renovavel e nao renovavel, alem do total; SOMAR o total com os agregados conta tres vezes.Geracao eletrica por fonte
2000–2026 · 551 obs
TWh/anofonte única21 recortesGeracao e capacidade instalada discordam por construcao: a hidreletrica gera muito por megawatt quando chove, a solar gera cerca de um quarto do que a placa promete, e a termica fica parada ate ser despachada. Ler a matriz por capacidade superestima solar e eolica; ler por geracao subestima o quanto o sistema ja mudou.Capacidade renovavel instalada
2000–2025 · 519 obs
MWfonte única20 recortesTotal renovavel da IRENA inclui bioenergia e hidreletrica de grande porte e exclui nuclear; renovavel nao e sinonimo de baixo carbono. O recorte separa as tecnologias alem do total. Capacidade e quanto se poderia gerar com tudo ligado ao mesmo tempo, e nao quanto saiu.Geracao renovavel
2000–2023 · 479 obs
GWhfonte única20 recortesTotal renovavel da IRENA inclui bioenergia e hidreletrica de grande porte e exclui nuclear; renovavel nao e sinonimo de baixo carbono. O recorte separa as tecnologias alem do total. Geracao e quanto de fato saiu; solar e eolica tem capacidade alta e fator de capacidade baixo, e a hidreletrica tem o oposto.Dependência externa de energia, por fonte
1970–2025 · 251 obs
percentualfonte única5 recortesFração da oferta doméstica bruta daquela fonte que veio de fora. É medida de exposição: um país que produz o que queima decide sozinho quando parar; um país que importa depende de preço, de rota e de decisão alheia. Calculada como importação sobre produção mais importação menos exportação, com os três números do mesmo quadro do BEN.Acesso a eletricidade
1990–2024 · 223 obs
percentualfonte única7 recortesNAO E DADO CLIMATICO: e denominador, a regua com que o dado climatico se le. Sem ele nao existe emissao por habitante nem intensidade de carbono, que sao as metricas em que a comparacao entre paises muda de sentido. Indicador de EXPOSICAO, e nao de emissao: quem nao tem acesso e quem mais sofre com onda de calor, e a expansao do acesso e o que faz a emissao crescer legitimamente.Renovavel no consumo final de energia
1990–2021 · 223 obs
percentualfonte única7 recortesINCLUI BIOMASSA TRADICIONAL, isto e, lenha e carvao vegetal queimados em fogao de casa: um pais pode ter alta renovabilidade por pobreza energetica, e a serie cai quando esse consumo e substituido por gas, o que e melhora e aparece como piora.Intensidade energetica do produto
2000–2022 · 157 obs
MJ/USDfonte única7 recortesCair e melhorar, mas cai tambem quando a industria pesada sai do pais e a energia dela passa a ser importada embutida no produto, o que nao e ganho de eficiencia global.Capacidade eletrica instalada por fonte
2000–2026 · 144 obs
MWfonte única6 recortesReconstruida do cadastro de unidades geradoras. Usina que existiu e foi desativada antes da coleta pode nao estar no cadastro atual, e por isso os anos antigos tendem a subestimar.Fracao fossil da energia consumida no transporte
1970–2025 · 56 obs
percentualfonte únicaderivadaParcela da energia consumida no transporte que vem de combustivel fossil, derivada dos combustiveis de primeiro nivel do Balanco Energetico Nacional. MEDIDA INDIRETA das duas metas de transporte do Plano Clima, que nao tem serie ligada porque o perimetro setorial do Plano nao bate com o do inventario e a reconciliacao entre os dois nao e publicada. NAO mede quilometro rodado, eficiencia nem emissao: um ano em que o transporte encolhe aparece igual a um ano em que ele se descarboniza.Renovavel na oferta interna de energia
1970–2025 · 56 obs
percentualfonte únicaParcela renovavel da MATRIZ ENERGETICA INTEIRA, que e cerca de metade no Brasil, e nao da matriz ELETRICA, que passa de 80%. Confundir as duas e o erro mais comum sobre energia no Brasil. Tambem nao e a mesma coisa que renovavel_consumo_final_pct do Banco Mundial, que mede consumo final e nao oferta, e que trata lenha de fogao como renovavel sem ressalva.Participação de solar e eólica na geração elétrica
2000–2025 · 52 obs
percentualfonte única2 recortesInvestimento previsto pelo Plano Decenal de Energia, por setor da oferta
2034–2034 · 11 obs
R$ bifonte única11 recortesProjeção de PLANO para o decênio inteiro, e não gasto realizado: diz onde o plano coloca o capital. O valor é do decênio somado; somar dois anos desta série contaria o mesmo real duas vezes, e por isso o ano de referência é o horizonte do plano.
Quanto da energia vem de fora
Um país que produz o que queima decide sozinho quando parar de queimar. Um país que importa depende de preço, de rota e de decisão alheia, e uma transição feita fora dele chega aqui como choque de preço antes de chegar como política. Esta seção mede onde essa exposição mora, fonte por fonte, desde 1970.
▸ Dependência externa de energia, por fonte (percentual)
Cada curva é a fração da oferta daquela fonte que veio de fora, calculada como importação sobre produção mais importação menos exportação, com os três números do mesmo quadro do Balanço Energético Nacional. O CARVÃO VAPOR NÃO ESTÁ AQUI, e a razão é da fonte: o quadro dele publica exportação e importação somadas numa linha só, e linha líquida não responde a esta pergunta. Desenho de 5 de 5 recortes, os de maior valor no último ano.
O PAÍS FICOU MENOS DEPENDENTE NO TODO E MAIS DEPENDENTE NO GÁS, e as duas coisas são a mesma história contada por lados opostos. A dependência de todas as fontes primárias caiu de 28% em 1970 para 8,6% em 2025, puxada pelo petróleo, que saiu de 68,8% para 11%. No mesmo período o gás natural andou no sentido contrário: de 6,6% em 1999 para 50,6% em 2025. Metade do gás que o Brasil usa hoje atravessa a fronteira para chegar aqui.
ISSO ENCOSTA NUMA COISA QUE ESTA MESMA ABA JÁ DIZ. A emissão do setor elétrico projetada pelo Plano Decenal sobe mais da metade na década, e o próprio plano atribui a alta às térmicas a gás contratadas por obrigação legal. Metade desse gás é importada. Quem decide contratar térmica a gás está decidindo, junto, aumentar a exposição do país a preço e a rota que ele não controla, e essa parte da conta não costuma aparecer ao lado da emissão.
Onde o plano decenal põe o dinheiro
A emissão projetada diz o que vai sair da chaminé. O investimento previsto diz onde o capital está sendo posto para que ela saia, e é a parte da conta que costuma ficar de fora quando se discute meta de emissão. O painel de dados abertos do Plano Decenal publica os dois, e esta seção põe o segundo ao lado do primeiro.