Comunicações e BTR

O Brasil presta contas à Convenção do Clima das Nações Unidas (UNFCCC, na sigla em inglês) por dois tipos de documento. O primeiro é a Comunicação Nacional, publicada periodicamente desde 1998. O segundo é o Relatório Bienal de Transparência (BTR, na sigla em inglês), que substitui a Comunicação na parte do inventário de emissões desde o Acordo de Paris. Esta página mostra o que a 4ª Comunicação e o primeiro BTR publicaram, cada um na sua escala, e o que mudou de um para o outro.
4 comunicações2004–2024escalas diferentes entre elas

O inventário de emissões é o documento em que o país informa quanto emitiu de gases de efeito estufa em cada ano. O Brasil envia o inventário à Convenção do Clima das Nações Unidas por dois tipos de documento, e esta base guarda 22 desses documentos, de 2004 a 2024. A Comunicação Nacional é publicada periodicamente desde 2004. Desde o Acordo de Paris, o Relatório Bienal de Transparência substitui a Comunicação na parte do inventário.

Para somar gases diferentes, o inventário converte cada gás numa quantidade equivalente de gás carbônico (CO2e). A conversão usa uma escala, o GWP, sigla em inglês para potencial de aquecimento global. Cada documento usa a escala que a Convenção pedia na época. A 4ª Comunicação Nacional usa a escala do segundo relatório do IPCC, o painel de cientistas da ONU sobre o clima. O primeiro Relatório Bienal passou a usar a escala do quinto relatório, por decisão da própria Convenção. Por isso, o mesmo ano de 2016 aparece com dois números diferentes, conforme o documento. Duas coisas explicam a diferença: a escala de conversão e o recálculo dos anos antigos, que o inventário faz a cada mudança de método. A 4ª Comunicação publicou 2016 também na escala do quinto relatório, e por isso esta página mostra quanto vem de cada uma: 7,4% da escala e 1,7% do recálculo.

Os anos que aparecem em cada tabela foram escolhidos pelo próprio documento. A 4ª Comunicação publica um quadro-resumo com alguns anos. O Relatório de Inventário Nacional publica a série de todos os anos. Esta página usa a série completa para encontrar o ano de maior emissão.

Na série anual do Relatório de Inventário, que começa em 1990, o ano de maior emissão é 2004, com 3.596,1 milhões de toneladas. O ano de menor emissão é 2012, com 1.305,8. O último ano da série, 2022, tem 2.039,2, 12% acima do ano anterior que aparece no quadro-resumo.

Para comparar duas edições do inventário, é preciso saber a escala de cada uma, porque o inventário recalcula os anos anteriores a cada mudança de método. Esta página mostra cada documento na sua própria escala. A base guarda as edições completas, com a data de publicação e a data de coleta. Assim, é possível comparar duas edições sem recalcular nenhum número.

O que a 4ª Comunicação publicou, na escala dela

A lista completa dos documentos está na seção de emissão por setor. Ela reúne os 22 documentos que o Brasil enviou à Convenção, com título oficial, ano da capa, páginas, endereço de origem e o resumo criptográfico do arquivo guardado na base. O resumo criptográfico é um código que permite confirmar que o arquivo não foi alterado. Aquela lista é atualizada automaticamente quando um documento novo entra na base. Esta página não repete a lista e mostra duas escalas lado a lado.

▸ emissão por setor, 1990–2016, na própria escala da 4ª Comunicação (Tg CO2e, GWP-SAR)

Antes de publicar, a 4ª Comunicação recalculou a série inteira com a mesma escala, e os valores aqui são esse recálculo. Os números que cada comunicação anterior publicou na época, com o método então em uso, estão registrados à parte. Tg (teragrama) equivale a um milhão de toneladas. O LULUCF, que reúne o uso da terra, a mudança no uso da terra e as florestas, concentra quase toda a variação: ele vai de 252,5 a 1.966,8 Tg nos seis anos. No mesmo período, a Energia cresce de forma constante.

  • Energia192,8 → 423,6 Tg
  • Processos industriais53,6 → 93,4 Tg
  • Agropecuária329,5 → 487 Tg
  • Uso da terra (LULUCF)907,5 → 397,4 Tg
  • Resíduos26,2 → 66 Tg
  • TOTAL1.509,6 → 1.467,3 Tg
edição de 2020 · coletada em 2026-08-08

O Relatório Bienal de Transparência (BTR)

O BTR foi criado pelo Quadro de Transparência Reforçado do Acordo de Paris, o conjunto de regras sobre como os países informam suas emissões. Na parte do inventário, ele substitui os dois documentos usados antes: a Comunicação Nacional e o Relatório de Atualização Bienal. O Brasil enviou o primeiro BTR (BTR1) em 13 de dezembro de 2024. Junto com ele foi o Relatório de Inventário Nacional (NIR 2024), que cobre de 1990 a 2022.

▸ emissão líquida por setor, com LULUCF (Tg CO2e, GWP-AR5)

O gráfico mostra os anos escolhidos pelo próprio Relatório de Inventário Nacional, com os valores copiados como ele os publica, na escala AR5 do original. Na série completa, o ano de maior emissão é 2004, com 3.596,1 Tg. O ano de menor emissão é 2012, com 1.305,8 Tg. Entre 2020 e 2022, o total sobe 11,8%.

  • Energia196,1 → 418,5 Tg
  • Processos industriais56,9 → 102,3 Tg
  • Agropecuária394,7 → 622 Tg
  • Uso da terra (LULUCF)908,1 → 805,7 Tg
  • Resíduos32,6 → 90,8 Tg
  • TOTAL1.588,4 → 2.039,2 Tg
edição de 2024-12 · coletada em 2026-08-06

Os dados do BTR1 aparecem em três séries desta plataforma: a emissão líquida, a emissão por setor e o apoio financeiro recebido. Nessas séries, o BTR1 aparece ao lado de outras fontes que medem a mesma coisa. Os gráficos completos, com todas as fontes, estão nas seções de setores, metas e financiamento.

A situação de adaptação, no mesmo relatório

O Capítulo 4 do BTR1 trata do que pede o Artigo 7º do Acordo de Paris: os impactos, os riscos, as vulnerabilidades e o andamento da adaptação no Brasil. O capítulo começa com quatro fatores que tornam o país vulnerável (Figura 4.1), descritos a partir de medições.

  • Faixa costeira longa, com alta densidade populacional
  • Economia de base agrícola, para alimento interno e exportação
  • A maior floresta tropical do mundo, rica em biodiversidade
  • Altos índices de pobreza e desigualdade socioeconômica

Em 2022, 24,3% da população brasileira ainda vivia em domicílios com esgotamento precário. A diferença entre as regiões é grande: a cobertura adequada era de 90,7% no Sudeste e de 46,4% no Norte. O acesso também varia por cor ou raça: 91,8% entre pessoas amarelas e 29,9% entre pessoas indígenas (IBGE, 2024, citado no relatório).

A população idosa passou de 7,4% do total em 2010 para 10,9% em 2022, um aumento de 57,4%. Em 2022, 32,3% das mulheres estavam abaixo da linha de pobreza. Entre elas, a taxa quase dobra conforme a cor ou raça: 41,3% entre mulheres pretas ou pardas e 21,3% entre mulheres brancas.