Comunicações e BTR
O mesmo ano de 2016 sai com dois números diferentes conforme o documento que o relata. A 4ª Comunicação Nacional usa a régua GWP-SAR; o primeiro Relatório Bienal de Transparência passou para GWP-AR5 por decisão da própria Convenção, e a distância entre os dois números é inteira da régua. É isso que esta página mostra: o catálogo dos documentos vive na aba de emissão por setor, e não aqui.
O que a 4ª Comunicação publicou, na régua dela
O CATÁLOGO DOS DOCUMENTOS NÃO MORA AQUI, e mora num lugar só: a aba de emissão por setor lista os 22 documentos do reporte brasileiro à Convenção, com título oficial, ano de capa, páginas, endereço de origem e o resumo criptográfico do arquivo que a base guardou. Aquela lista vem do exportador e cresce sozinha quando um documento novo entra na guarda; esta página não a repete, e o que ela faz é outra coisa: pôr duas réguas lado a lado.
▸ emissão por setor, 1990–2016, na própria régua da 4ª Comunicação (Tg CO2e, GWP-SAR)
A 4ª Comunicação recalculou a série inteira na mesma métrica antes de publicá-la, e é esse recálculo que está aqui, e não o que cada comunicação anterior tinha divulgado na época, com o método então vigente. O LULUCF concentra quase toda a oscilação: ele varia de 252,5 a 1.966,8 Tg entre os seis anos, contra um crescimento constante da Energia.
- Energia192,8 → 423,6 Tg
- Processos industriais53,6 → 93,4 Tg
- Agropecuária329,5 → 487 Tg
- Uso da terra (LULUCF)907,5 → 397,4 Tg
- Resíduos26,2 → 66 Tg
- TOTAL1.509,6 → 1.467,3 Tg
O Relatório Bienal de Transparência (BTR)
O BTR nasce do Quadro de Transparência Reforçado do Acordo de Paris e substitui, no capítulo de inventário, a dupla Comunicação Nacional mais Relatório de Atualização Bienal que vigorava antes. O Brasil submeteu o primeiro (BTR1) em 13 de dezembro de 2024, com o Relatório de Inventário Nacional (NIR 2024) cobrindo 1990–2022.
▸ emissão líquida por setor, com LULUCF (Tg CO2e, GWP-AR5)
Anos selecionados pelo próprio Relatório de Inventário Nacional, e não um corte desta plataforma; a régua AR5 do original não é alterada. O pico da série toda é 2004, com 3.596,1 Tg, movido por desmatamento; o vale é 2012, com 1.305,8 Tg. Entre 2020 e 2022 o total sobe 11,8%.
- Energia196,1 → 418,5 Tg
- Processos industriais56,9 → 102,3 Tg
- Agropecuária394,7 → 622 Tg
- Uso da terra (LULUCF)908,1 → 805,7 Tg
- Resíduos32,6 → 90,8 Tg
- TOTAL1.588,4 → 2.039,2 Tg
O BTR1 alimenta três séries já publicadas nesta plataforma, a emissão líquida, a emissão por setor e o apoio financeiro recebido, ao lado de outras fontes que medem o mesmo objeto. Os gráficos completos, com todas as fontes lado a lado, estão em setores, metas e financiamento; esta página não os repete.
A situação de adaptação, no mesmo relatório
O Capítulo 4 do BTR1 responde ao Artigo 7º do Acordo de Paris: impactos, riscos, vulnerabilidades e o progresso da adaptação brasileira. Quatro fatores estruturais abrem o capítulo (Figura 4.1), e a caracterização é medida, não impressão.
- Faixa costeira longa, com alta densidade populacional
- Economia de base agrícola, para alimento interno e exportação
- A maior floresta tropical do mundo, rica em biodiversidade
- Altos índices de pobreza e desigualdade socioeconômica
Em 2022, 24,3% da população brasileira ainda vivia em domicílio com esgotamento precário, com disparidade regional grande: 90,7% de cobertura adequada no Sudeste contra 46,4% no Norte. O acesso também varia por cor e raça, de 91,8% entre pessoas amarelas a 29,9% entre pessoas indígenas (IBGE, 2024, citado no relatório).
A população idosa passou de 7,4% do total em 2010 para 10,9% em 2022, alta de 57,4%. Entre as mulheres, 32,3% estavam abaixo da linha de pobreza em 2022, e a taxa quase dobra por raça dentro desse grupo: 41,3% entre mulheres pretas ou pardas contra 21,3% entre mulheres brancas.