Financiamento climático

Esta página mostra quanto dinheiro público brasileiro é classificado como climático e em quais eixos, isto é, em quais grandes temas: clima, biodiversidade, e riscos e desastres. Mostra também quanto o governo deixa de arrecadar com renúncias fiscais, os impostos que ele dispensa para estimular certas atividades. Por fim, apresenta o financiamento internacional, o tema sobre o qual a plataforma tem menos informação.
23 séries18.577 observações6 séries com dez pontos ou menos

O Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO) classifica parte do gasto federal como climática. Em 2023, essa parte somou 52,9 bilhões de reais. Esta página reúne 18.577 observações sobre financiamento em 23 séries. A maior delas é a do gasto federal classificado por eixo climático, que sozinha tem 4.036 observações.

No orçamento, quem decide se uma despesa recebe a marca de climática é o órgão que a executa, segundo um critério publicado. Quando um programa tem uma parte climática, o programa inteiro recebe a marca. Isto significa que a marca mostra que existe uma parte climática, mas não separa quanto do dinheiro do programa foi gasto em clima. A renúncia fiscal segue outro caminho: ela aparece no Demonstrativo dos Gastos Tributários, que a Receita Federal publica. Um modelo de IA (Claude) ligou, linha a linha, a classificação do orçamento à classificação das renúncias, e anotou o grau de confiança de cada ligação.

O gasto classificado se divide em categorias climáticas. Em 2023, adaptação e gerenciamento de riscos e de desastres climáticos responde por 67,7% do gasto que a classificação considera climático, mistas por 19,9% e mitigação por 7,4%. Além dessas categorias, o próprio demonstrativo registra 26,4 bilhões como não relacionados ao clima, e essa parte também aparece no gráfico.

A série do gasto classificado vai de 2010 a 2023. Nesse período, o valor passou de 37 para 52,9 bilhões de reais. A série do financiamento internacional é muito mais curta e cobre de 2018 a 2023. Nesta plataforma, 6 das 23 séries de financiamento têm dez pontos ou menos.

A classificação climática do orçamento não mostra quanto foi gasto de fato em clima. A ligação entre orçamento e renúncia fiscal foi feita nesta plataforma e não é oficial. Ela permite comparar as duas contagens, mas não substitui nenhuma delas. Os compromissos negociados em acordos internacionais e os fluxos de dinheiro medidos são contados separadamente, porque somá-los misturaria promessas com pagamentos feitos.

Como o gasto foi classificado

Cada número desta página depende do critério que o produziu. Quem classificou o gasto foi o Ministério do Planejamento e Orçamento, com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O método tem nome, origem internacional e uma lista fechada de categorias. O texto abaixo descreve o critério informado pela própria fonte, no dicionário de dados que acompanha a planilha. A plataforma guarda esse dicionário junto com a planilha.

A COFOG é a classificação internacional da despesa pública por função. Ela foi criada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e pela ONU, e é usada no Manual de Estatísticas de Finanças Públicas do Fundo Monetário Internacional. Ela responde a uma única pergunta: para qual finalidade social ou econômica o governo usou o dinheiro. A COFOG AMPLIADA é uma extensão da COFOG feita pelo BID. Nela, a despesa já classificada pela COFOG é examinada de novo para identificar e medir o gasto em três eixos: mudança climática, biodiversidade, e gerenciamento de riscos e desastres. A extensão faz três coisas. Cria a subfunção 705.6, Mudança Climática, para registrar só o gasto cuja finalidade principal é enfrentar a mudança do clima. Acrescenta três níveis de detalhe aos três níveis originais da COFOG. E cria um sistema de atributos, a Matriz de Relacionamento, que descreve cada despesa.

O PROPÓSITO é o atributo que decide se uma despesa entra na conta climática. Ele tem quatro valores. PRINCIPAL é a despesa cuja finalidade principal é enfrentar a mudança do clima. SECUNDÁRIO POSITIVO é a despesa que não tem essa finalidade, mas promove uma Atividade de Natureza Climática, isto é, ação, processo, serviço ou produto que pelas suas características impacta positivamente o clima ou responde a ele. A própria fonte chama essa despesa de gasto não climático de propósito secundário positivo. SECUNDÁRIO NEGATIVO é a despesa que financia uma atividade que o IPCC, o painel de cientistas da ONU sobre mudança do clima, lista como emissora de gases de efeito estufa. Essas atividades estão nas quatro categorias do inventário: energia; processos industriais e uso de produtos; agricultura, silvicultura e outros usos da terra; e resíduos. NÃO RELACIONADO é o restante do orçamento examinado, e é a maior parte dele.

Dentro do eixo clima, a CATEGORIA informa a finalidade da despesa. Ela tem cinco valores, e a ordem deles importa. As três primeiras categorias financiam o enfrentamento da mudança do clima, atuando nas causas e na gestão dos efeitos: mistas; mitigação, que é a redução de emissões; e adaptação e gerenciamento de riscos e de desastres climáticos. As duas últimas financiam a resposta a um impacto que já aconteceu: eventos climáticos de emergência e recuperação de eventos climáticos. Essa divisão separa o dinheiro gasto para evitar danos do dinheiro gasto para reparar danos.

Dois avisos valem para todos os painéis abaixo. Os valores estão corrigidos pela inflação, a preços de dezembro de 2023, pelo IPCA, o índice oficial de inflação do país. Por isso, as séries podem ser comparadas entre anos. O recorte BR, sozinho, corresponde ao TOTAL DO ORÇAMENTO EXAMINADO, que é diferente do gasto climático. Somar recortes de eixos diferentes conta a mesma despesa mais de uma vez, porque uma mesma linha do orçamento pode ser positiva no eixo clima e negativa no eixo biodiversidade.

O gasto federal, por eixo

O painel do MPO classifica a execução do orçamento em eixos e categorias climáticas, pelo critério descrito acima. São 196 recortes em três níveis, e o controle abaixo permite escolher o nível mostrado.

▸ Gasto federal classificado por eixo climático (R$ bi/ano)

O gráfico mostra 12 dos 140 recortes: os que têm os maiores valores no último ano. Os outros 128 estão na tabela de dados: 44000 - Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, 52911 - Fundo Aeronáutico, 22000 - Ministério da Agricultura e Pecuária, 22101 - Ministério da Agricultura e Pecuária - Administração Direta, 55000 - Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, 55101 - Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome - Adm. Direta….

escalanível
39000 - Ministério dos Transportes39252 - Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes - DNIT74000 - Operações Oficiais de Crédito74101 - Recursos sob Supervisão da Secretaria do Tesouro Nacional - Ministério da Fazenda71000 - Encargos Financeiros da União71101 - Recursos sob Supervisão do Ministério da Fazenda40000 - Ministério do Trabalho e Emprego40901 - Fundo de Amparo ao Trabalhador53000 - Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional53101 - Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional - Administração Direta38901 - Fundo de Amparo ao Trabalhador52000 - Ministério da Defesaem R$ bi/ano
Painel Gastos Climaticoscorrente140 recortes neste nívelum nível por vez
edição de 2025 · coletada em 2026-08-07

A agenda ambiental dentro do plano plurianual

O painel acima classifica a despesa por um critério técnico e termina em 2023. Esta seção mostra o que o próprio governo informa, ano a ano, sobre o mesmo assunto, no relatório da Agenda Transversal Meio Ambiente. O Ministério do Planejamento e Orçamento publica esse relatório desde 2025 para prestar contas do plano plurianual, o plano de governo para quatro anos. Os números desta seção foram copiados do relatório. A série de orçamento da agenda ainda não foi incluída na plataforma. Por isso, esses números não estão nos dados abertos nem na tabela para baixar.

A AGENDA TRANSVERSAL DE MEIO AMBIENTE FOI CRIADA EM 2024, pela Lei 14.802, que aprovou o Plano Plurianual 2024-2027. Os planos plurianuais anteriores já tinham programas ambientais. A lei acrescentou uma forma de reunir compromissos de vários programas e de prestar contas do tema como um todo. Ela definiu a agenda transversal como o conjunto de compromissos que envolvem vários órgãos e não se resolvem dentro de um só. A lei criou cinco agendas: crianças e adolescentes, mulheres, igualdade racial, povos indígenas e meio ambiente. Das cinco, a agenda ambiental é a que tem mais compromissos. Ela aparece em 50 dos 88 programas do plano e se organiza em sete dimensões, do combate ao desmatamento à qualidade ambiental urbana.

No orçamento de 2024, a agenda reuniu 269 ações orçamentárias, e o valor empenhado nelas somou 92,9 bilhões de reais. O empenho é a reserva do dinheiro para um gasto já decidido. Desse total, 64,2 bilhões vieram de ações cuja finalidade principal é ambiental, e 28,7 bilhões de ações com efeito ambiental secundário. Essa divisão é feita pelo próprio relatório. Três órgãos concentraram 70,6% do valor empenhado: 44,66 bilhões em Operações Oficiais de Crédito, 12,43 bilhões no Ministério das Cidades e 8,51 bilhões no Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima empenhou 1,28 bilhão, ou 1,4% do total da agenda que leva o nome da pasta.

A LISTA DE AÇÕES CONTADAS MUDA DE UM ANO PARA O OUTRO, e não só o valor. No orçamento de 2025, a agenda passou a reunir 403 ações orçamentárias, contra 269 no ano anterior. O relatório explica como chegou a esse número: 223 ações vieram da marcação feita na própria lei do orçamento, 106 de uma busca por palavra-chave nos sistemas de orçamento e de execução, 15 de créditos extraordinários abertos para a emergência climática e 82 de uma segunda busca. Depois da análise de acompanhamento, 23 ações foram retiradas. Por isso, o crescimento entre os dois anos mistura o aumento do gasto com o aumento da busca. Ler a diferença como aumento de recursos atribuiria ao orçamento uma mudança que veio do método.

No ano-base 2024, o relatório registra que 64% dos objetivos específicos e 73% das entregas alcançaram mais de 90% da meta. Em números absolutos, 53 objetivos e 216 entregas alcançaram a meta ou a superaram. Naquele ano, o país também tomou decisões de política climática: a nova Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), a meta que o Brasil apresenta ao acordo de Paris; a criação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões; a consulta pública da primeira edição da Taxonomia Sustentável Brasileira; o marco legal do hidrogênio de baixo carbono; e o Programa Cidades Verdes Resilientes. O cumprimento de uma meta é informado pelo próprio órgão que a assumiu e mede a execução. Ele não informa o efeito sobre as emissões e o risco.

A favor do clima, contra o clima, e em que proporção

A classificação do MPO marca cada despesa por PROPÓSITO. Essa marca responde à pergunta central de um orçamento climático: quanto do dinheiro ajuda o clima e quanto o prejudica. Principal é a despesa cuja finalidade declarada é o clima. Secundário positivo é a despesa com outra finalidade que ajuda o clima. Secundário negativo é a despesa com outra finalidade que prejudica o clima, porque financia atividade que aumenta a emissão ou a exposição a riscos. Os números abaixo são do último ano executado e valem para a parte do orçamento que o painel examina, que é menor do que o orçamento federal inteiro.

Em 2023, o painel examinou R$ 52,9 bi. Desse total, apenas 0,7% têm o clima como finalidade PRINCIPAL, o que corresponde a R$ 0,4 bi. As despesas que ajudam o clima sem terem sido feitas para isso somam 49,3%, e as que prejudicam o clima somam 30,7%. Somando a finalidade principal e o secundário positivo, para cada R$ 1,00 que o orçamento gasta contra o clima, ele gasta R$ 1,63 a favor.

▸ o orçamento examinado por propósito climático, 2023 (R$ bi)

As quatro partes somam o orçamento examinado. A de propósito principal é a única em que alguém decidiu gastar pelo clima. As duas do meio são efeitos colaterais, positivos e negativos, de despesas decididas por outros motivos.

  • principalR$ 0,4 bi
  • secundário positivoR$ 26,1 bi
  • secundário negativoR$ 16,2 bi
  • não relacionadoR$ 10,2 bi
edição de 2025 · coletada em 2026-08-07

▸ mitigação contra adaptação, 2023 (R$ bi)

A mesma classificação divide a finalidade climática em categorias, e a divisão é desigual: adaptação e gestão de risco recebem 9,2 vezes o que a mitigação, a redução de emissões, recebe. A categoria mista reúne despesas que servem às duas e não são atribuídas a nenhuma. A categoria de emergência é a resposta a um evento que já aconteceu e atua depois do dano.

  • mitigaçãoR$ 1,9 bi
  • adaptação e riscoR$ 17,9 bi
  • mistasR$ 5,3 bi
  • emergência climáticaR$ 1,3 bi
edição de 2025 · coletada em 2026-08-07

A renúncia, por função

Gasto tributário é o dinheiro que o governo deixa de arrecadar quando abre uma exceção à regra geral de cobrança de impostos. Ele não aparece no orçamento como despesa. Por isso, costuma ficar fora da conta do que a política climática custa e da conta do que contradiz essa política.

▸ Gasto tributário federal por função e modalidade (R$ bi/ano)

A curva vai de 2014 a 2026 e reúne oito edições do Demonstrativo dos Gastos Tributários, publicado pela Receita Federal. Cada ano vem da edição mais recente que o publicou. Os anos de 2014 a 2020 vêm das edições de bases efetivas 2016 a 2022, e os de 2021 a 2026 vêm da edição de bases efetivas 2023, que é a última. A Receita chama de efetivos os anos cujas declarações de imposto já foram fechadas. Na última edição, eles vão até 2023, e 2024, 2025 e 2026 são projeção. Essa edição saiu em abril de 2026. Por isso, a plataforma separa os dois casos pela data de publicação: o ano que já tinha terminado entra como estimativa de um ano passado, e a linha interrompida começa no ano que ainda não tinha terminado. O gráfico mostra 12 dos 21 recortes: os que têm os maiores valores no último ano. Os outros 9 estão na tabela de dados: Direitos da Cidadania, Desporto e Lazer, Energia, Gestão Ambiental, Administração, Saneamento….

nível
Comércio e ServiçoComércio e Serviço · 2025–2026 (projeção)SaúdeSaúde · 2025–2026 (projeção)AgriculturaAgricultura · 2025–2026 (projeção)TrabalhoTrabalho · 2025–2026 (projeção)IndústriaIndústria · 2025–2026 (projeção)Assistência SocialAssistência Social · 2025–2026 (projeção)EducaçãoEducação · 2025–2026 (projeção)HabitaçãoHabitação · 2025–2026 (projeção)Ciência e TecnologiaCiência e Tecnologia · 2025–2026 (projeção)TransporteTransporte · 2025–2026 (projeção)Não definidaNão definida · 2025–2026 (projeção)CulturaCultura · 2025–2026 (projeção)em R$ bi/ano
DGTcorrente21 recortes neste nívelum nível por vez
edição de 2026-04 · coletada em 2026-09-15

▸ O mesmo total, em oito edições (R$ bi/ano)

Cada linha é uma edição do Demonstrativo, e o eixo mostra o ano a que o número se refere. A linha é contínua enquanto a Receita considera o ano efetivo. Ela se interrompe nos anos que a Receita ainda não considerou efetivos, onde aparecem a estimativa de anos passados e a projeção. A plataforma guarda todas as edições para mostrar exatamente isto: oito edições que dão números diferentes para o mesmo ano.

edição de 2026-04 · coletada em 2026-09-15

UM ANO QUE A RECEITA CONSIDERA EFETIVO QUASE NUNCA MUDA DEPOIS, e as oito edições guardadas mostram o tamanho desse quase. Oito anos aparecem como efetivos em mais de uma edição. Seis deles têm o mesmo valor em todas, até a terceira casa decimal. Os outros dois mudam uma vez, na edição seguinte à que os apurou, e depois não mudam mais: 2018 passou de 310,5 para 311,2 bilhões, e 2019 de 317,6 para 324,4. Enquanto o ano é estimativa, as diferenças são muito maiores: 2021 apareceu em seis edições, com valores de 276,8 a 420,8 bilhões, e 2022 variou 172,4 bilhões entre cinco edições.

UMA DECISÃO DE POLÍTICA AUMENTA A PARTE CLASSIFICADA A PARTIR DE 2021, SEM MUDANÇA NO CRITÉRIO. De 2016 a 2020, a parte classificada fica entre 3,2% e 4,8% do gasto tributário. De 2021 em diante, passa de 9%. A diferença vem de um único item: a desoneração de combustível, isto é, a redução de impostos sobre combustíveis. Ela vale cerca de 31,2 bilhões por ano a partir de 2021 e não aparece no Demonstrativo antes disso. Sem esse item, 2021 ficaria em 3,8%, dentro da faixa dos anos anteriores.

O MODELO LIGOU AS DUAS FONTES. O Demonstrativo dos Gastos Tributários da Receita Federal organiza a renúncia por imposto e por FUNÇÃO ORÇAMENTÁRIA, a classificação brasileira das áreas de governo, como energia, agricultura, comércio e serviços, e saúde. O painel do Ministério do Planejamento organiza a despesa pela COFOG Ampliada e pelo PROPÓSITO climático. São duas classificações diferentes do gasto do mesmo governo, e nenhum dos dois órgãos publica a correspondência entre elas.

O modelo fez a correspondência linha a linha e usou o MESMO vocabulário de propósito descrito acima. Uma desoneração de combustível fóssil recebe propósito secundário negativo, com categoria de impacto 1, energia. O motivo é que esse é o mesmo item que o IPCC lista como emissor e que o MPO marca assim do lado da despesa. Uma desoneração que barateia um insumo de energia renovável recebe secundário positivo. Cada linha da tabela de correspondência informa o critério usado e o grau de confiança, e as duas informações estão publicadas nos dados abertos.

TRÊS LIMITES. A correspondência não é oficial e não substitui nenhuma das duas classificações. O que não se encaixou no critério fica FORA e aparece como não classificado no painel abaixo, porque ler a parte classificada como se fosse o total levaria à conclusão oposta. E a renúncia NÃO PODE SER SOMADA à despesa: a despesa é dinheiro que saiu do orçamento, e a renúncia é dinheiro que nunca entrou. A soma das duas daria um número que não existe em nenhuma contabilidade.

▸ Gasto tributário lido pela classificação climática do MPO (R$ bi/ano)

O gráfico mostra a renúncia fiscal classificada segundo a correspondência com a classificação climática do MPO. Secundário positivo é a desoneração que promove atividade de natureza climática. Secundário negativo é a desoneração que barateia uma atividade que o IPCC lista como emissora. A parte que não corresponde a nenhum critério aparece como não classificada, para que a parte classificada não seja confundida com o total. O gráfico mostra 3 dos 3 recortes: os que têm os maiores valores no último ano.

nível
nao_classificadonao_classificado · 2025–2026 (projeção)Secundário NegativoSecundário Negativo · 2025–2026 (projeção)Secundário PositivoSecundário Positivo · 2025–2026 (projeção)em R$ bi/ano
DGTcorrente3 recortes neste nívelum nível por vez
edição de 2026-04 · coletada em 2026-09-15

O MINISTÉRIO DA FAZENDA MEDIU A MESMA COISA DE OUTRA FORMA, e o resultado dele deve ser lido ao lado deste. Em 2025, a Secretaria de Política Econômica publicou o Painel de Caracterização das Desonerações Tributárias. O painel usa a Declaração de Incentivos, Renúncias, Benefícios e Imunidades Tributárias, que as empresas beneficiadas entregam à Receita Federal. A segunda parte do relatório compara essa declaração com a Taxonomia Sustentável Brasileira, a lista oficial de atividades econômicas consideradas alinhadas a objetivos ambientais, sociais e econômicos.

Em 2024, cerca de 20% das desonerações analisadas estavam em setores que a taxonomia considera elegíveis, e cerca de 80% em setores que ela não inclui. Com base nisso, o relatório conclui que a renúncia fiscal tem hoje alcance limitado como instrumento para estimular a transição. Dentro da parte elegível, o valor está muito concentrado: cerca de cinquenta classes da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) reúnem 87% do valor, e poucos programas respondem pela maior parte dele. Entre os programas com maior presença de setores elegíveis estão o REIDI, regime de incentivos para obras de infraestrutura, o PERSE, programa de apoio ao setor de eventos, e a desoneração da folha de pagamentos.

O RELATÓRIO INFORMA UM LIMITE QUE TAMBÉM VALE PARA A CORRESPONDÊNCIA FEITA NESTA PLATAFORMA. A CNAE registra a atividade principal da empresa, mas não informa em que cada benefício foi usado. Uma empresa de um setor elegível pode receber o incentivo por um motivo sem relação com as atividades da taxonomia. Por isso, o número mede o alinhamento possível da renúncia e não prova que ela seja sustentável. As duas análises são publicadas com o critério que cada uma usou.

Os três subsídios, incluindo o que não aparece no orçamento

As duas seções acima tratam de dois dos três tipos de subsídio que o governo federal concede. O terceiro é o BENEFÍCIO CREDITÍCIO: a diferença entre os juros que o governo cobra num fundo ou programa de crédito e o custo do Tesouro para tomar dinheiro emprestado. Ele não aparece como despesa em nenhuma parte do orçamento. Por isso, fica de fora de qualquer análise que só considere o gasto executado. O Orçamento de Subsídios da União reúne os três tipos numa única tabela, de 2003 a 2024. A Constituição exige essa publicação, no artigo 165.

▸ Subsídio da União por tipo e item (R$ bi/ano)

Três níveis: o tipo de subsídio e, dentro dele, cada item com nome. A linha do grupo é o TOTAL do grupo e não pode ser somada aos itens que estão dentro dela. Os valores estão em reais da época, sem correção pela inflação. Por isso, a comparação entre anos distantes inclui o efeito da inflação. O gráfico mostra 3 dos 3 recortes: os que têm os maiores valores no último ano.

nível
Benefícios TributáriosBenefícios FinanceirosBenefícios Creditíciosem R$ bi/ano
OSUcorrente3 recortes neste nívelum nível por vez
edição de 2025 · coletada em 2026-08-08

▸ Subsídio da União lido pela classificação climática do MPO (R$ bi/ano)

O gráfico mostra a mesma tabela classificada pelo vocabulário de propósito do MPO, com a mesma correspondência usada para a renúncia fiscal. A parte não classificada aparece para deixar claro o limite da análise: a maior parte do subsídio brasileiro não recebeu classificação de propósito climático. O gráfico mostra 4 dos 4 recortes: os que têm os maiores valores no último ano.

nível
nao classificadoSecundário NegativoSecundário PositivoPrincipalem R$ bi/ano
OSUcorrente4 recortes neste nívelum nível por vez
edição de 2025 · coletada em 2026-08-08

Quando os três tipos são classificados com o mesmo vocabulário, aparecem dois resultados que nenhum tipo mostra sozinho. O primeiro: entre os itens que receberam classificação climática, o subsídio de propósito secundário negativo é quase o triplo do subsídio de propósito secundário positivo. De um lado estão combustível, petroquímica, setor automotivo e crédito agropecuário. Do outro estão biodiesel, álcool, aerogeradores, transporte coletivo e seguro rural.

O segundo resultado trata do único item da tabela cuja finalidade PRINCIPAL é o clima: o Fundo Nacional sobre Mudança do Clima, o único que recebe propósito principal. O benefício creditício desse fundo é NEGATIVO desde 2021. Isto significa que os juros que o fundo cobra estão acima do custo do Tesouro para tomar dinheiro emprestado. Assim, o fundo deixou de ser subsídio e passou a devolver dinheiro ao Tesouro. Hoje, o único instrumento financeiro criado para o clima é o que menos subsidia.

OS TRÊS LIMITES DA SEÇÃO ANTERIOR VALEM AQUI, E HÁ UM QUARTO. A classificação foi feita nesta plataforma, e não pela fonte. A parte não classificada está publicada. Os três tipos exigem cuidado ao serem somados: um é despesa realizada, outro é custo de oportunidade, isto é, o que o Tesouro deixa de ganhar, e o terceiro é receita que não foi arrecadada. O quarto limite trata do benefício creditício NEGATIVO. Ele significa que os juros cobrados superaram o custo do Tesouro para tomar dinheiro emprestado. Essa conta do Tesouro não mede dano ao clima nem o mérito da política.

O fluxo internacional

O levantamento do Climate Policy Initiative (CPI), instituto internacional de pesquisa, divide o fluxo mundial de financiamento climático em três partes. MITIGAÇÃO financia a redução das emissões. ADAPTAÇÃO financia a convivência com o que já mudou no clima. DUPLO BENEFÍCIO busca os dois objetivos ao mesmo tempo. As três partes somam o total, e a divisão mostra para onde foi o dinheiro.

▸ Fluxo global de financiamento climático (USD bi/ano)

As curvas podem ser somadas: mitigação, adaptação e duplo benefício dão o total. A ADAPTAÇÃO E A MITIGAÇÃO NÃO SÃO MEDIDAS DA MESMA FORMA, e o próprio relatório informa isso. Quem financia adaptação conta só o custo da parte do investimento que serve à adaptação, pelo chamado método incremental. Quem financia mitigação conta o investimento inteiro. Por causa desse método, a adaptação é sempre contada de forma mais restrita do que a mitigação. O gráfico mostra 3 dos 3 recortes: os que têm os maiores valores no último ano.

mitigacaoadaptacaoduplo beneficioem USD bi/ano
CPIcorrente3 recortes neste nível
edição de 2025 · coletada em 2026-08-06

▸ o total rastreado, ano a ano

O gráfico soma os três componentes do financiamento. Esse total costuma ser citado sozinho. Ele dobrou em seis anos, e a divisão no gráfico acima mostra para onde foi o crescimento.

CPIem USD bi/ano
edição de 2025 · coletada em 2026-08-06

A diferença entre mitigação e adaptação é de vinte e sete para um. Em 2023, em bilhões de dólares, a mitigação recebeu 1.780 e a adaptação, 65. Mais de três quartos da mitigação foram para sistemas de energia e transporte, principalmente energia solar fotovoltaica, eólica e veículo elétrico. No mesmo ano, a adaptação foi o ÚNICO dos três componentes que caiu, de 77 para 65. Boa parte da queda se explica pela redução de cerca de 20 bilhões de um único financiador, o China Development Bank.

O duplo benefício é o componente que mais cresce: triplicou de 18 para 58 bilhões de dólares entre 2018 e 2023 e quase alcança, sozinho, o valor da adaptação. Três setores respondem por três quartos dele no período: agricultura, silvicultura e uso da terra; água e saneamento; e usos que envolvem vários setores. Nesses casos, uma mesma ação reduz emissões e aumenta a resiliência, isto é, a capacidade de resistir aos impactos do clima. Por isso, cresce a sobreposição entre as duas categorias.

Quanto desse dinheiro chega ao Brasil? O Primeiro Relatório Bienal de Transparência, que o Brasil entregou à Convenção do Clima da ONU, informa que o país recebeu 516 milhões de dólares de recursos externos entre 2020 e 2022. Esse número é um PISO, e o total é maior. A própria fonte informa cinco exclusões: o recurso destinado ao setor privado ficou de fora por falta de informação; o recurso recebido diretamente por entidades subnacionais, como governos estaduais e municipais, ficou de fora; os parceiros bilaterais que contabilizam de forma diferente ficaram de fora; o canal bilateral só inclui o que foi recebido por órgão público ou coordenado pelo governo federal; e a conversão usou a taxa fixa de cinco reais por dólar. O relatório também registra que, desde 2018, os valores enviados pelos países e entidades cooperantes DIMINUÍRAM.

Os dois números mostram a diferença de escala. O fluxo mundial rastreado em um ano é da ordem de dois trilhões de dólares, e o Brasil informa ter recebido meio bilhão em três anos. As duas medidas não podem ser comparadas diretamente. Uma conta investimento de qualquer origem, e a outra conta o apoio externo recebido pelo poder público. Por isso, elas aparecem cada uma com as suas ressalvas, e não divididas uma pela outra.

▸ Financiamento de fundo climático multilateral no Brasil (USD mi/ano)

O gráfico mostra o que os fundos climáticos multilaterais, mantidos por vários países, aprovaram para projetos cujo país é SÓ o Brasil, por tema e por ano de aprovação. Os projetos regionais e globais que citam o Brasil entre vários países ficam de fora, porque somá-los atribuiria ao Brasil um dinheiro que ele divide com outros países. Por isso, a contagem fica abaixo do valor real. Escolha a escala para ver o valor aprovado ou o desembolsado, isto é, o que foi de fato pago: é o mesmo projeto, mas não é o mesmo dinheiro. O gráfico mostra 4 dos 4 recortes: os que têm os maiores valores no último ano.

escala
Mitigation - ReddMultiple FociMitigation - GeneralAdaptationem USD mi/ano
Climate Funds Updateaprovado4 recortes neste nível
edição de 2026 · coletada em 2026-08-08

A diferença entre mitigação e adaptação no mundo se repete no dinheiro que chega ao Brasil, e aqui ela é ainda maior. Dos 190 projetos de fundos multilaterais aprovados para o país entre 2007 e 2025, só TRÊS são de adaptação. Em valor aprovado, a adaptação fica em torno de 1,5% do total. O resto é mitigação, e a maior parte da mitigação é REDD, isto é, pagamento por redução do desmatamento.

Esta fonte permite uma segunda comparação, porque é a única da plataforma que traz os dois números para o mesmo projeto: o valor APROVADO e o valor DESEMBOLSADO. Ao trocar a escala no painel acima, o desembolsado fica em torno da metade do aprovado no tema REDD e abaixo de um terço nos outros três temas. Os anúncios de financiamento climático costumam falar do valor aprovado. A diferença entre o aprovado e o dinheiro que de fato saiu raramente é publicada ao lado, e aqui ela aparece.

AS TRÊS MEDIDAS DESTA SEÇÃO NÃO PODEM SER SOMADAS E UMA NÃO SUBSTITUI A OUTRA. O levantamento da CPI conta investimento de qualquer origem no mundo inteiro. O relatório bienal conta o apoio externo recebido pelo poder público brasileiro em três anos. Os fundos multilaterais contam projetos aprovados por catorze fundos específicos. Cada medida responde a uma pergunta diferente. Por isso, elas são publicadas lado a lado, cada uma com as suas ressalvas, e não reduzidas a um único número.

Fundos climáticos: do anúncio ao pagamento

Quando um país anuncia dinheiro numa conferência anual da ONU sobre o clima (COP), esse dinheiro passa por quatro etapas registradas até ser pago a um projeto, e o valor diminui de uma etapa para a outra. O Climate Funds Update publica as quatro etapas para 31 fundos multilaterais. Esta seção compara o valor da primeira etapa com o da última.

▸ as quatro etapas do mesmo dinheiro, acumuladas

Cada barra mostra uma ETAPA do mesmo financiamento, e as quatro etapas acontecem uma depois da outra. Prometido é o valor anunciado pelo governo doador. Depositado é o dinheiro que entrou na conta do fundo. Aprovado é o dinheiro destinado a um projeto. Desembolsado é o que o projeto recebeu. Por isso, as barras usam uma só cor, em tons cada vez mais fracos, e não podem ser somadas. Os valores são o TOTAL ACUMULADO desde a criação de cada fundo.

  • prometido60,5 US$ bi
  • depositado53,3 US$ bi
  • aprovado42,4 US$ bi
  • desembolsado17,2 US$ bi
edição de 2026 · coletada em 2026-08-08

DE CADA CEM DÓLARES PROMETIDOS AOS FUNDOS CLIMÁTICOS MULTILATERAIS, 28,4 chegaram a um projeto. Foram 60,5 bilhões de dólares anunciados e 17,2 bilhões pagos, somados desde a criação de cada fundo. A maior perda não acontece entre o anúncio e o depósito, que é a etapa que costuma receber atenção: 88,1% do valor prometido entrou de fato na conta dos fundos. A maior perda acontece no fim, entre aprovar e pagar.

QUANDO OS FUNDOS SÃO SEPARADOS POR FOCO, O MAIOR VALOR PROMETIDO NÃO CORRESPONDE À MAIOR ENTREGA. Multiple Foci reúne 37,6 bilhões prometidos, o maior valor, e desembolsou 23,6%. Mitigation - REDD tem o menor valor entre os focos com destino informado e a maior taxa de entrega, 47,6%. Um fundo pequeno e antigo pode pagar mais do que anunciou, e um fundo grande e novo pode ainda estar aprovando projetos. Isso NÃO significa que um funciona melhor do que o outro. Significa que cada um está numa etapa diferente do financiamento.

O gasto com desastre, pela classificação oficial

Antes de comparar o gasto com os decretos, é preciso explicar o que é cada um. O gasto tem uma classificação oficial em dois eixos. O decreto é um instrumento jurídico específico, que costuma ser confundido com outro.

O DECRETO CONTADO AQUI NÃO É DECRETO DE CRÉDITO EXTRAORDINÁRIO. É o decreto MUNICIPAL de situação de emergência ou de estado de calamidade pública. Depois de assinado pela prefeitura, ele é reconhecido pelo governo federal e registrado no Atlas Digital de Desastres, com o tipo de desastre segundo a COBRADE, a Classificação e Codificação Brasileira de Desastres. Com esse decreto, o município declara que foi atingido. Por isso, a plataforma conta o RECONHECIMENTO FORMAL do evento pela prefeitura. O município que não assina decreto não aparece, e a capacidade de formalizar depende da estrutura administrativa de cada prefeitura. O crédito extraordinário é outro instrumento: com ele, o governo federal abre uma despesa fora da lei do orçamento, por medida provisória. Ele não é contado em nenhuma parte desta página.

O GASTO, POR SUA VEZ, TEM DUAS CLASSIFICAÇÕES OFICIAIS QUE TRATAM DE DESASTRE, e elas são diferentes. No eixo de MUDANÇA CLIMÁTICA, as cinco categorias separam o dinheiro gasto para evitar danos do dinheiro gasto para reparar danos. Mistas, mitigação, e adaptação e gerenciamento de riscos atuam nas causas e na gestão dos efeitos. Eventos climáticos de emergência e recuperação de eventos climáticos respondem a um impacto que já aconteceu. No eixo de GERENCIAMENTO DE RISCOS E DESASTRES, as quatro categorias seguem a estrutura do Marco de Sendai, o acordo da ONU para a redução do risco de desastres: compreensão do risco, governança do risco, redução do risco, e resposta e recuperação.

▸ Gasto federal classificado por eixo climático (R$ bi/ano)

Escolha o nível para ver o eixo de gerenciamento de riscos e desastres ou o de mudança climática e, dentro de cada um, a categoria. No eixo clima, as categorias 4 e 5 respondem a um impacto que já aconteceu, e a categoria 3 atua antes. No eixo de riscos, a categoria 4 é resposta e recuperação, e as categorias 1 e 2 são compreensão e governança do risco. O gráfico mostra 12 dos 140 recortes: os que têm os maiores valores no último ano. Os outros 128 estão na tabela de dados: 44000 - Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, 52911 - Fundo Aeronáutico, 22000 - Ministério da Agricultura e Pecuária, 22101 - Ministério da Agricultura e Pecuária - Administração Direta, 55000 - Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, 55101 - Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome - Adm. Direta….

escalanível
39000 - Ministério dos Transportes39252 - Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes - DNIT74000 - Operações Oficiais de Crédito74101 - Recursos sob Supervisão da Secretaria do Tesouro Nacional - Ministério da Fazenda71000 - Encargos Financeiros da União71101 - Recursos sob Supervisão do Ministério da Fazenda40000 - Ministério do Trabalho e Emprego40901 - Fundo de Amparo ao Trabalhador53000 - Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional53101 - Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional - Administração Direta38901 - Fundo de Amparo ao Trabalhador52000 - Ministério da Defesaem R$ bi/ano
Painel Gastos Climaticoscorrente140 recortes neste nívelum nível por vez
edição de 2025 · coletada em 2026-08-07

A classificação oficial completa mostra três resultados. O primeiro: no eixo de gerenciamento de riscos, compreender o risco e governar o risco somam cerca de vinte milhões de reais em 2023, enquanto reduzir o risco recebe bilhões. Saber onde está o risco recebe mais de quinhentas vezes menos do que agir sobre ele.

O segundo: a categoria de RECUPERAÇÃO de eventos climáticos quase desaparece. Ela registra 3,4 bilhões de reais em 2010 e cai para 0,5 bilhão em 2011. De 2013 em diante, fica praticamente em zero, e a série termina em 2018. Isso pode significar que a recuperação passou a ser classificada em outra categoria, ou que deixou de existir como item próprio do orçamento. Os dados do painel não permitem saber qual das duas possibilidades é a certa, e a fonte não explica.

O terceiro, que a seção seguinte examina: o gasto em eventos climáticos de emergência CAIU enquanto o número de decretos SUBIU. O gasto de emergência passou de 5,5 bilhões de reais em 2013 para 1,3 bilhão em 2023. No mesmo período, os decretos municipais reconhecidos passaram de 2.838 para 4.918. As duas séries foram em direções opostas, e nenhuma delas, sozinha, explica o motivo.

ESTA PLATAFORMA NÃO CONSEGUE RESPONDER A UMA PERGUNTA que o crédito extraordinário levanta: quanto desse dinheiro passou pela lei do orçamento e quanto entrou fora dela. A planilha do Ministério do Planejamento traz órgão, unidade orçamentária, função, subfunção, programa e ação, mas NÃO traz o tipo de crédito. Para separar o crédito ordinário do extraordinário, seria preciso usar a base de alterações orçamentárias do SIOP, o sistema de orçamento do governo federal, que publica os créditos abertos em cada ano. Essa base está em dados abertos, mas cobre só de 2023 a 2026. Dos catorze anos desta página, de 2010 a 2023, só 2023 está nela.

O gasto responde ou antecipa?

O eixo de desastres do gasto climático federal cobre catorze anos, e a contagem de decretos cobre o mesmo período. Comparar os dois responde a uma pergunta que nenhuma das séries responde sozinha: o dinheiro chega antes ou depois do desastre? A resposta exige duas comparações, e o resultado está na diferença entre elas.

▸ gasto no eixo de desastres e decretos de desastre, por ano

As duas curvas foram ajustadas para a mesma escala, de 0 a 1, no período comum, porque as unidades são diferentes. O valor publicado pela fonte está na tabela. A categoria residual do eixo, à qual o próprio classificador não atribuiu nenhuma finalidade, fica fora da soma.

gasto no eixo de desastresdecretos de desastre
mesmo ano 0,693na variação 0,686ano seguinte 0,3532010–2023
edição de 2026-04 · coletada em 2026-08-07

O gasto de cada ano acompanha os decretos do MESMO ano com coeficiente de correlação de 0,693. Esse coeficiente vai de -1 a 1 e mede quanto duas séries sobem e descem juntas. A relação continua quando se retira a tendência de longo prazo: comparando a variação de um ano para o outro, o coeficiente é 0,686. Quando o gasto de cada ano é comparado com os decretos do ano SEGUINTE, o coeficiente cai para 0,353.

O resultado está na diferença entre os dois números. Se o orçamento se antecipasse ao desastre, o coeficiente seria alto na comparação com o ano seguinte e baixo na comparação com o mesmo ano. Aqui acontece o contrário. Isto significa que o gasto federal no eixo de desastres acompanha o que já aconteceu.

Esta comparação não permite afirmar três coisas. Ela não separa resposta de prevenção dentro do eixo, porque a classificação do gasto reúne as duas: o dinheiro empenhado para reconstrução conta igual ao empenhado para uma obra de prevenção. Ela é nacional, e um estado que gasta antes do desastre não aparece na soma. E catorze anos são poucos pontos. Por isso, o coeficiente descreve o período observado e não estabelece uma regra do orçamento federal.

As séries com poucas observações

Estas séries de financiamento têm dez observações ou menos. Elas mostram a ordem de grandeza dos valores, mas não permitem analisar tendências, que exigem uma série contínua.

  • Apoio financeiro internacional recebido pelo Brasil

    1 obs · 2022–2022

    USD mi1 fontes
    Recursos externos recebidos pelo Brasil no período 2020-2022, segundo o capítulo 5 do Primeiro Relatório Bienal de Transparência enviado à UNFCCC. O valor é acumulado dos três anos, e não anual: o próprio relatório publica um só número para o triênio. Cinco exclusões feitas pela própria fonte acompanham o número e fazem dele um piso, e não o total. Ficou de fora o recurso dirigido ao setor privado, por falta de informação. Ficou de fora o recurso recebido diretamente por estados e municípios. Ficaram de fora os parceiros bilaterais com contabilidade divergente. O canal bilateral só inclui recurso recebido por entidade pública ou coordenado pelo governo federal. E a conversão usou a taxa fixa de 1 dólar por 5 reais. O relatório também registra que, desde 2018, os valores aportados pelos países e entidades cooperantes diminuíram.
  • Investimento em nova capacidade fóssil

    1 obs · 2024–2024

    USD tri/ano1 fontes
    Investimento total em nova produção e distribuição de combustível fóssil, público e privado. A série não mede subsídio nem só gasto público. O identificador da série foi criado antes da leitura do número e ficou mais estreito do que aquilo que ela mede.
  • Necessidade estimada de financiamento de adaptação

    1 obs · 2035–2035

    USD bi/ano1 fontes
    Esta série é o denominador da lacuna de financiamento da adaptação, e não um fluxo de dinheiro. Comparar com o financiamento observado é o cálculo que a UNEP resume em "pelo menos doze vezes". A base guarda o ponto médio da faixa publicada.
  • Razão entre investimento em baixo carbono e investimento em fóssil

    1 obs · 2024–2024

    razao1 fontes
    Esta razão pode ser derivada das séries "Fluxo global de financiamento climático" e "Investimento em nova capacidade fóssil", quando as duas tiverem o mesmo ano e a mesma fonte. Em 2024, a CPI (Climate Policy Initiative) dá 1,9 trilhão contra 1,2 trilhão. A razão não foi derivada porque as duas séries ainda não coincidem em ano na mesma edição.
  • Financiamento público internacional para adaptação

    4 obs · 2022–2023

    USD bi/ano3 fontes
    O recorte é o da UNEP, o Programa da ONU para o Meio Ambiente: financiamento público internacional para países em desenvolvimento. Ficam fora o financiamento privado e o doméstico.
  • Projetos aprovados pelos fundos climáticos multilaterais

    4 obs · 2025–2025

    projetos1 fontes
    Contagem de projetos, e não de dinheiro: um projeto de dez milhões e um de dez mil contam igual.

Todas as séries do domínio

Cada série mostra o período coberto, o número de fontes e o caminho até os dados. A lista vai da série com mais observações para a série com menos. Ela inclui as séries que não têm gráfico nesta página, para que os dados delas também possam ser consultados.

  • Gasto tributário federal por função e modalidade

    2014–2026 · 7.621 obs

    R$ bi/anofonte única195 recortes
    Receita que o Estado deixou de arrecadar por desoneração. Ela não é despesa e não se soma à série "Gasto federal classificado por eixo climático": uma é dinheiro que saiu do orçamento, e a outra é dinheiro que nunca entrou. O recorte traz a função orçamentária e a modalidade, e somar os dois níveis conta duas vezes. Oito edições convivem nesta série, com bases efetivas de 2016 a 2023, porque a Receita Federal republica a série inteira a cada edição. Cada ano tem de 2 a 6 leituras. Em cada edição, o Quadro XXVI separa a série no ponto em que marca projeção, e o que vem antes é efetivo. A nota de cada observação registra a palavra da fonte ao lado do qualificador da base. O ano declarado efetivo quase nunca muda depois, e os dois casos em que mudou estão medidos na aba de financiamento.
  • Gasto federal classificado por eixo climático

    2010–2023 · 4.036 obs

    R$ bi/anofonte única197 recortes
    Despesa executada do Governo Central, classificada pelo MPO, o Ministério do Planejamento e Orçamento, com o BID em três eixos: mudança do clima, biodiversidade e gerenciamento de riscos e desastres. É a classificação oficial brasileira. A leitura pede três cuidados. Primeiro, o recorte traz o eixo e a dimensão no próprio nome, e somar recortes de eixos diferentes conta a mesma despesa mais de uma vez, porque uma linha pode ser positiva no eixo clima e negativa no eixo biodiversidade ao mesmo tempo. Segundo, existe propósito secundário negativo, isto é, gasto que a própria classificação aponta como de impacto negativo sobre o clima, e ler só o positivo esconde esse lado da conta. Terceiro, o recorte BR sozinho é o total da base examinada, e não o gasto climático, e a maior parte dele está classificada como 'Nao relacionado'.
  • Subsídio da União por tipo e item

    2003–2024 · 3.230 obs

    R$ bi/anofonte única151 recortes
    Os três tipos de subsídio praticados pela União, num quadro só. O benefício financeiro é despesa executada, e a fonte o chama de explícito. O benefício creditício é a diferença entre a taxa cobrada num fundo ou programa e o custo de captação do Tesouro. O benefício tributário é receita que não entrou. Os dois últimos são implícitos e não aparecem como despesa em nenhuma peça do orçamento. O recorte traz o tipo e o item, e a linha de grupo é o total do grupo: somá-la aos itens abaixo dela conta duas vezes. Os valores são correntes, sem correção pela inflação, e por isso a comparação entre anos distantes inclui a inflação.
  • Crédito de carbono emitido

    1996–2026 · 916 obs

    tCO2e/anofonte única28 recortes
    Crédito emitido não é emissão evitada: é crédito que o registro reconheceu segundo a metodologia dele. A literatura sobre integridade mostra contagem a mais em várias metodologias, sobretudo em REDD+ (redução de emissões por desmatamento e degradação), por causa da linha de base hipotética. Por isso emitir mais crédito não significa reduzir mais emissão. O sentido desejado da série é estável de propósito: subir não é bom nem ruim por si. A métrica separa as duas contagens do mesmo crédito, pelo ano da safra e pelo ano da emissão. Somar as duas conta o mesmo crédito duas vezes.
  • Gasto tributário lido pela classificação climática do MPO

    2014–2026 · 525 obs

    R$ bi/anofonte única11 recortes
    Esta série é derivada, e a classificação é desta base, e não da Receita Federal nem do MPO. Um modelo de IA (Claude) aplicou o vocabulário do projeto Classificadores do Gasto Público, do MPO, às modalidades do Demonstrativo de Gastos Tributários. A correspondência que o modelo escreveu está em catalogo/ponte_dgt_mpo.csv, e cada linha declara o critério e o grau de confiança. O que não coube no critério fica fora, e a parcela não classificada é publicada junto. Ler o classificado como se fosse o total inverte a conclusão.
  • Crédito de carbono em circulação

    1996–2026 · 477 obs

    tCO2efonte única28 recortes
    Estoque, e não fluxo: é o crédito emitido e ainda não aposentado na data da coleta, dividido pelo ano de safra. O número muda a cada edição sem que o ano de referência mude, e por isso não se lê como série temporal de fluxo. Um excedente grande de safras antigas indica oferta acumulada que o mercado não absorveu.
  • Produto interno bruto

    1960–2025 · 462 obs

    USD bi constantesfonte única7 recortes
    Este não é um dado climático. É um denominador, o número usado como base para ler o dado climático. Sem ele não existem a emissão por habitante nem a intensidade de carbono, que são as medidas em que a comparação entre países muda de sentido. A série está em dólares constantes, porque a série em dólares correntes mede também inflação e câmbio.
  • Crédito de carbono aposentado

    2004–2026 · 429 obs

    tCO2e/anofonte única28 recortes
    Crédito retirado de circulação porque alguém o usou para compensar emissões. A série mede o uso do mercado, e não a redução: a compensação só equivale a uma redução se o crédito tiver integridade. O ano é o da aposentadoria, que não é o da safra do crédito. Um crédito da safra de 2012 aposentado em 2024 aparece em 2024.
  • Projetos de credito de carbono iniciados

    1996–2026 · 376 obs

    projetos/anofonte única28 recortes
    Contagem de projetos pelo primeiro ano de safra declarado no registro. A série conta projetos, e não toneladas: um projeto de REDD+ pode valer, em crédito emitido, centenas de projetos de fogão eficiente.
  • Subsídio da União lido pela classificação climática do MPO

    2003–2024 · 256 obs

    R$ bi/anofonte única12 recortes
    Esta série é derivada, e a classificação é desta base, e não do MPO nem da Secretaria de Orçamento. Um modelo de IA (Claude) aplicou o vocabulário do projeto Classificadores do Gasto Público, do MPO, aos itens do Orçamento de Subsídios da União. A correspondência que o modelo escreveu está em catalogo/ponte_osu_mpo.csv, e cada linha declara o critério e o grau de confiança. O que não coube no critério fica fora, e a parcela não classificada é publicada junto. Ler o classificado como se fosse o total inverte a conclusão.
  • Financiamento de fundo climático multilateral no Brasil

    2007–2025 · 81 obs

    USD mi/anofonte única4 recortes
    Financiamento de fundos climáticos multilaterais destinado ao Brasil, projeto a projeto, somado por ano de aprovação e por tema. O recorte traz o tema, e a métrica separa aprovado de desembolsado: os dois números existem para o mesmo projeto e não são o mesmo dinheiro. Só entra a linha cujo país é exatamente Brazil. A planilha traz projetos regionais e globais que citam o Brasil entre vários países, e somá-los atribuiria ao país dinheiro que ele divide com outros. Por isso a contagem fica abaixo do real, e o motivo está registrado. É fluxo de fundo multilateral, e não todo o financiamento externo: a cooperação bilateral e o recurso privado ficam fora.
  • Ajuda oficial comprometida com marcador climático

    2010–2024 · 60 obs

    USD mi/anofonte única4 recortes
    A série registra o compromisso declarado pelo país doador, e não o desembolso nem o recebimento verificado. O recorte separa mitigação de adaptação, e objetivo principal de objetivo significativo. Somar principal e significativo aumenta artificialmente o esforço climático, porque no significativo entra o valor inteiro da atividade mesmo quando a parte climática é pequena.
  • Fluxo global de financiamento climático

    2018–2023 · 25 obs

    USD bi/ano2 fontes4 recortes
    A série mede o investimento primário realizado. Ela não se soma à obrigação negociada entre países. A unidade mudou de trilhão para bilhão de dólares em 08/08/2026, quando entrou a divisão entre mitigação, adaptação e duplo benefício. Em trilhão, os 65 bilhões da adaptação virariam 0,065 e sumiriam ao lado da mitigação. A observação do SCF, o Comitê Permanente de Finanças da UNFCCC, foi convertida na mesma ocasião, multiplicada por mil.
  • Fundos climáticos multilaterais: prometido, depositado, aprovado e desembolsado

    2025–2025 · 20 obs

    US$ bifonte única20 recortes
    Estoque acumulado desde a criação de cada fundo até a edição da planilha, e não fluxo do ano. Somar dois anos conta o mesmo dólar duas vezes. As quatro etapas, prometido, depositado, aprovado e desembolsado, são momentos do mesmo dinheiro. A série existe para evitar o erro de citar o prometido como se fosse entregue.
  • Valor contratado pelo Fundo Amazônia

    2010–2026 · 17 obs

    R$ mi/anofonte única
    O Fundo Amazônia não é orçamento da União. É doação internacional gerida pelo BNDES, sobretudo da Noruega e da Alemanha, e não se soma à execução do orçamento federal. Contratado não é desembolsado: o contrato é o compromisso, o desembolso é o dinheiro que saiu, e os dois acontecem em anos diferentes. O fundo contratou zero em 2020, 2021 e 2022, quando o seu conselho foi dissolvido. Mesmo assim houve desembolso nesses anos, de projetos contratados antes.
  • Valor desembolsado pelo Fundo Amazônia

    2010–2026 · 17 obs

    R$ mi/anofonte única
    Dinheiro que de fato saiu do fundo no ano, que não é o mesmo que o valor contratado. Em 2020, 2021 e 2022 o fundo contratou zero e desembolsou R$ 339 milhões, de projetos contratados antes da paralisação. O Fundo Amazônia não é orçamento da União.
  • Projetos contratados pelo Fundo Amazônia

    2010–2026 · 17 obs

    projetos/anofonte única
    Contagem de projetos contratados no ano. A série conta projetos, e não reais: um projeto estadual de centenas de milhões conta igual a um pequeno projeto da sociedade civil. O valor é zero em 2020, 2021 e 2022.
  • Financiamento público internacional para adaptação

    2022–2023 · 4 obs

    USD bi/ano3 fontes3 recortes
    O recorte é o da UNEP, o Programa da ONU para o Meio Ambiente: financiamento público internacional para países em desenvolvimento. Ficam fora o financiamento privado e o doméstico.
  • Projetos aprovados pelos fundos climáticos multilaterais

    2025–2025 · 4 obs

    projetosfonte única4 recortes
    Contagem de projetos, e não de dinheiro: um projeto de dez milhões e um de dez mil contam igual.
  • Apoio financeiro internacional recebido pelo Brasil

    2022–2022 · 1 obs

    USD mifonte única
    Recursos externos recebidos pelo Brasil no período 2020-2022, segundo o capítulo 5 do Primeiro Relatório Bienal de Transparência enviado à UNFCCC. O valor é acumulado dos três anos, e não anual: o próprio relatório publica um só número para o triênio. Cinco exclusões feitas pela própria fonte acompanham o número e fazem dele um piso, e não o total. Ficou de fora o recurso dirigido ao setor privado, por falta de informação. Ficou de fora o recurso recebido diretamente por estados e municípios. Ficaram de fora os parceiros bilaterais com contabilidade divergente. O canal bilateral só inclui recurso recebido por entidade pública ou coordenado pelo governo federal. E a conversão usou a taxa fixa de 1 dólar por 5 reais. O relatório também registra que, desde 2018, os valores aportados pelos países e entidades cooperantes diminuíram.
  • Investimento em nova capacidade fóssil

    2024–2024 · 1 obs

    USD tri/anofonte única
    Investimento total em nova produção e distribuição de combustível fóssil, público e privado. A série não mede subsídio nem só gasto público. O identificador da série foi criado antes da leitura do número e ficou mais estreito do que aquilo que ela mede.
  • Necessidade estimada de financiamento de adaptação

    2035–2035 · 1 obs

    USD bi/anofonte única
    Esta série é o denominador da lacuna de financiamento da adaptação, e não um fluxo de dinheiro. Comparar com o financiamento observado é o cálculo que a UNEP resume em "pelo menos doze vezes". A base guarda o ponto médio da faixa publicada.
  • Razão entre investimento em baixo carbono e investimento em fóssil

    2024–2024 · 1 obs

    razaofonte únicaderivada
    Esta razão pode ser derivada das séries "Fluxo global de financiamento climático" e "Investimento em nova capacidade fóssil", quando as duas tiverem o mesmo ano e a mesma fonte. Em 2024, a CPI (Climate Policy Initiative) dá 1,9 trilhão contra 1,2 trilhão. A razão não foi derivada porque as duas séries ainda não coincidem em ano na mesma edição.