As réguas

Esta página mostra as escalas de medida usadas nesta base. A escala é a referência com que um número foi medido, como o período de referência de uma anomalia de temperatura. Duas medidas só podem ser comparadas se usam a mesma escala. No menu, esta página se chama As réguas. A base usa 47 escalas, reunidas em 6 famílias. As escalas da mesma família medem o mesmo fenômeno a partir de referências diferentes.
47 escalas6 famílias

724.800 dados têm uma escala de conversão informada. Outros 551.124 não têm nenhuma, e isso não é uma falha: uma contagem de desastres ou uma área em hectares não dependem de escala de conversão.

As 6 famílias

▸ Horizonte de aquecimento · 5 escalas

O GWP, potencial de aquecimento global, diz quanto um gás aquece em comparação com o dióxido de carbono, num certo número de anos. O metano fóssil tem GWP-100 (em 100 anos) de 29,8 e GWP-20 (em 20 anos) de 82,5. Isto significa que a mesma emissão de metano vale quase três vezes mais em CO2 equivalente (CO2e, a medida que converte cada gás na quantidade de CO2 que aqueceria o mesmo) conforme o horizonte escolhido. Cada relatório do IPCC, o painel de cientistas da ONU sobre o clima, revisa esses valores. Somar séries medidas em escalas diferentes é o erro mais comum com esta base. Por isso, a escala aparece junto de cada valor.

  • gwp100_ar564.651
  • gwp100_ar41.638
  • gwp100_ar21.590
  • gwp100_ar6513
  • gwp20_ar618
edição de 2026-08 · coletada em 2026-08-08

▸ Período de referência da anomalia · 5 escalas

A anomalia de temperatura é a diferença, em graus, entre a temperatura média de um ano e a temperatura média de um período de referência. Esse período é a escala da medida e funciona como o seu zero. A anomalia mostra o quanto o ano se afastou dele. Cada instituição escolhe o seu período. O GISTEMP, o registro de temperatura da agência espacial norte-americana, e o Berkeley Earth usam 1951-1980. O HadCRUT usa 1961-1990. A NOAA, a agência oceânica e atmosférica dos Estados Unidos, usa 1901-2000. O Acordo de Paris usa 1850-1900, o período anterior à industrialização. Por isso, só nesse período de referência a marca de 1,5 grau do Acordo de Paris pode ser lida. O Copernicus publica o mesmo ano com dois períodos de referência, e isso mostra o tamanho da diferença. Em 2024, a mesma medida vale 1,6 grau em relação a 1850-1900 e 0,7 grau em relação a 1991-2020. São 0,9 grau de diferença entre dois números da mesma fonte, do mesmo ano e da mesma medida. Cada barra mostra quantos dados desta base foram medidos em relação a cada período de referência.

  • anomalia_1951_1980321
  • anomalia_1901_2000176
  • anomalia_1961_1990176
  • anomalia_1850_190089
  • anomalia_1991_202087
edição de 2026-08 · coletada em 2026-08-07

▸ Cenário de projeção · 4 escalas

Esta projeção trata dos impactos físicos da mudança do clima no Brasil. São 8 medidas do Climate Impact Explorer, entre elas os dias de calor perigoso, a duração da estação do fogo e a área em seca severa, de 2015 a 2100, a cada 5 anos. A escala indica a hipótese sobre o mundo usada no cálculo. Uma hipótese supõe que continuam valendo as políticas de hoje. Outra supõe que os países cumprem por inteiro as metas que prometeram. As duas restantes supõem que o aquecimento fica limitado a 1,5 grau e a 2 graus. As quatro barras têm a mesma altura porque a fonte publica as mesmas medidas, nos mesmos anos, para cada cenário. A barra mostra só a quantidade de dados; a diferença entre os cenários está nos valores. Em 2100, o Brasil tem 30,2 dias de calor perigoso por ano no cenário de 1,5 grau e 129,3 no cenário das políticas atuais. São 4,3 vezes mais dias, no mesmo país e no mesmo ano. Por isso, as quatro curvas aparecem separadas.

  • cenario_h_cpol144
  • cenario_h_ndc144
  • cenario_o_1p5c144
  • cenario_o_2c144
edição de 2025 · coletada em 2026-08-07

▸ Contagem de créditos · 2 escalas

Um crédito de carbono é uma tonelada de CO2 equivalente que um registro reconheceu como evitada ou retirada da atmosfera por um projeto. Uma empresa ou um país pode comprar esse crédito para descontar da emissão que declara. Os dados vêm do Berkeley Carbon Trading Project, da Universidade da Califórnia, que reúne os cinco registros voluntários num arquivo aberto. Cada crédito tem duas datas. O ano da safra é o ano em que a redução teria acontecido. O ano da emissão é o ano em que o registro emitiu o certificado, sempre depois, porque a verificação leva tempo. As duas contagens repartem os mesmos créditos por dois calendários, e o total é igual nas duas. O que muda é o ano em que cada tonelada aparece. No Brasil, contado por safra, o pico é de 14 milhões de toneladas em 2015. Contado por emissão, o pico é de 32 milhões em 2021, 6 anos depois. Por isso, a escala escolhida decide se o mercado brasileiro parece ter crescido ou diminuído na última década. Ela também decide se a compensação que uma empresa declara num ano corresponde a uma redução feita naquele ano.

  • credito_por_safra517
  • credito_por_emissao399
edição de 2026 · coletada em 2026-08-07

▸ Método da aviação · 2 escalas

A escala indica o método de inventário usado para calcular as emissões da aviação. O método detalhado parte do plano de voo real. O método simplificado parte do combustível vendido. Os dois dão números diferentes para o mesmo ano.

  • tier3a_gwp100_ar542
  • tier1_gwp100_ar540
edição de 2019 · coletada em 2026-08-06

▸ Limite de cobertura de copa · 8 escalas

O limite de cobertura de copa é a porcentagem mínima do terreno coberta pelas copas das árvores para que uma área conte como floresta. A mesma perda de árvores dá números diferentes conforme o limite escolhido, e a fonte publica 8 limites ao mesmo tempo. A seção seguinte mede a diferença entre eles e mostra como ela afeta a conta das emissões.

  • dossel_30pct1.917
  • dossel_0pct25
  • dossel_10pct25
  • dossel_15pct25
  • dossel_20pct25
  • dossel_25pct25
  • dossel_50pct25
  • dossel_75pct25
edição de 2026 · coletada em 2026-08-07

O limite de cobertura de copa, e por que ele muda a conta das emissões

Esta é a única família em que a mesma fonte publica o mesmo ano em todas as escalas. Por isso, é possível medir o efeito da escolha da escala sem comparar fontes diferentes. É a mesma medida, do mesmo satélite, contada com definições diferentes de floresta.

▸ a mesma perda de 2025, contada em 8 definições de floresta

Cada barra mostra a perda de cobertura de árvores do Brasil no mesmo ano, contada com um limite de cobertura de copa diferente. Nenhuma delas está errada. Somar duas barras conta a mesma área duas vezes. Entre o limite mais baixo e o mais alto, a diferença é de 63%.

  • dossel_0pct3.769.473
  • dossel_10pct3.008.500
  • dossel_15pct2.979.908
  • dossel_20pct2.938.194
  • dossel_25pct2.909.949
  • dossel_30pct2.868.122
  • dossel_50pct2.626.860
  • dossel_75pct2.308.713
edição de 2026 · coletada em 2026-08-07

Esta escolha tem consequências: ela define quais biomas entram na conta. O limite diz quanto da área de um pixel, o menor ponto da imagem de satélite, precisa estar coberto por copas para contar como floresta. Com 0%, entram o cerrado, a caatinga aberta e as plantações. Com 75%, entra só a floresta densa, e fica de fora a vegetação de savana que cobre boa parte do Brasil central. O Brasil tem os dois tipos de vegetação no seu território. Por isso, mudar o limite muda o mapa, mesmo com a mesma precisão de medida.

Esta base guarda a série de emissão bruta de gases de efeito estufa (GEE) das florestas, e ela existe num só limite, o de 30%. A fonte não publica a emissão nos outros sete limites. Isto significa que a definição de floresta já foi escolhida quando o número em toneladas chega à base, e não é possível refazer essa escolha. A emissão é estimada multiplicando a área perdida pela quantidade de carbono por hectare daquela área. Subir o limite tira da conta as áreas de copa mais rala, que também têm menos carbono por hectare. Por isso, a emissão não cai na mesma proporção que a área. Sem as outras sete séries, não é possível dizer quanto ela cairia.

O limite de cobertura de copa é uma definição do produto global feito a partir de imagens de satélite. O inventário nacional de emissões do Brasil não usa nenhum desses limites. Ele parte de classes de mudança no uso da terra, mapeadas pelo próprio país, e é o número que o Brasil apresenta à Convenção do Clima da ONU. O SEEG, Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa, parte do MapBiomas, que classifica a cobertura e o uso da terra por bioma. O SEEG também não usa limite de cobertura de copa. O PRODES, do INPE, mede o corte raso na Amazônia Legal, com outro método e outro recorte. São quatro definições de floresta em uso. Por isso, esta base guarda as quatro séries separadas e não escolhe uma delas como a verdadeira.

Cada escala, com os seus dados

A lista mostra quantos dados usam cada escala, em quais séries e de quais fontes. Uma escala usada por mais de uma fonte permite comparar essas fontes. Uma escala usada por uma só fonte não permite essa comparação.