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Método

Esta página apresenta as regras que decidem se um número entra na base, com que atributos ele é registrado e o que impede que ele seja comparado com um número de natureza distinta. As regras estão escritas no caderno de método da base e são conferidas por programa a cada fechamento, sem depender de leitura atenta.

A separação que sustenta tudo

Série é o conceito medido, e existe uma vez só: as emissões líquidas de gases de efeito estufa do Brasil, por ano, em Gt CO2e. Observação é um valor atribuído a essa série por uma fonte, numa edição, para um ano de referência. Duas fontes medindo a mesma série produzem observações distintas, e as duas ficam guardadas lado a lado.

Disso decorre a regra que fecha o desenho: a base nunca escolhe uma fonte em silêncio e nunca calcula média entre fontes. A divergência entre a camada oficial e a camada independente é informação sobre o dado, e este observatório existe em parte para mostrá-la.

As três datas

Confundi-las produz série incoerente sem que nada acuse. Um relatório de dezembro de 2024 reporta o ano de 2022 e foi baixado em agosto de 2026; sem os três campos, essas três datas viram uma só.

  • ano de referência

    O ano a que o número se refere.
  • data de publicação

    Quando a fonte publicou aquela edição.
  • data de coleta

    Quando o arquivo foi baixado para a guarda.

Guarda acumulativa

Toda ingestão escreve um instantâneo novo, com o arquivo bruto como veio e um manifesto com a URL, a data e hora da coleta, o tamanho e o SHA-256 do conteúdo. Nada é sobrescrito e nada é apagado.

Isso é obrigatório porque várias destas fontes revisam o passado. Uma delas reprocessa a série inteira desde 1985 a cada coleção nova; outra publica taxa estimada em novembro e taxa consolidada meses depois, para o mesmo ano. Sem guarda acumulativa, uma revisão retroativa apaga em silêncio o número que a plataforma publicou. Com ela, a revisão vira um dado observável: dá para mostrar quanto uma fonte mudou de ideia sobre o passado.

As oito regras

  • Número didático não entra como observação.

    R1
    Material de aula traz gráficos marcados como valores aproximados ou ilustrativos. Eles ficam no acervo como referência de que a série existe, com ponteiro para a fonte primária, e nunca como valor.
  • Edição carimbada sempre.

    R2
    Um relatório de 2023 avalia 40 indicadores e o de 2025 avalia 45. Um fundo reporta 1,3 trilhão numa edição e 2,0 trilhões na seguinte. Os dois números estão certos, cada um na edição em que foi publicado. Por isso toda observação guarda de qual edição ela veio, e comparar duas edições passa a ser uma comparação declarada.
  • Origem rastreada até a raiz.

    R3
    Uma fonte alimenta a outra, e contar as duas como confirmação recíproca é contagem dupla disfarçada de convergência. A base guarda um mapa de quem copia dado de quem, e é esse mapa que decide quantas medidas de origem independente uma série tem.
  • Métrica declarada.

    R4
    O metano fóssil tem GWP-100 de 29,8 e GWP-20 de 82,5. Toda observação em CO2e carrega a régua em que foi convertida, para que uma série só seja comparada com outra escrita na mesma régua.
  • Campo desconhecido é declarado.

    R5
    Onde o valor não foi confirmado na fonte primária, o campo recebe a marca de pendente, e nunca um valor estimado por conveniência. Uma pendência declarada pode ser resolvida por conferência posterior; um valor plausível inserido sem origem passa a ser indistinguível dos demais.
  • Um valor, uma fonte.

    R6
    Observação sem fonte não entra na base, e a fonte precisa estar catalogada antes da ingestão.
  • Atributo operacional se confirma na ingestão.

    R7
    A licença de uso, a frequência de publicação, o atraso até o número sair e o período coberto são confirmados no momento em que a fonte entra na guarda, e não antes. Confirmar antes rende pouco e envelhece: portal reorganiza, domínio muda, licença é revista.
  • Guardado, extraído e série são três estados, e não um.

    R8
    A fonte de referência sustenta número, conceito ou critério sem nunca virar observação. Sem essa distinção, relatórios inteiros apareceriam como pendência de extração, quando o certo é nunca serem extraídos.

As camadas funcionais

Cada fonte ocupa uma camada, definida pela pergunta que ela responde, e não pelo assunto de que trata. Duas fontes sobre desmatamento podem estar em camadas diferentes se uma mede e a outra classifica.

  • 1 · Estado físico

    Qual é o estado observado do sistema climático? · Temperatura, criosfera, concentração atmosférica, oceano.
  • 2 · Emissões e fluxos

    Quanto está sendo emitido e removido, por quem? · Inventário, sensoriamento, estimativa quase em tempo real.
  • 3 · Ambição e política

    O que foi prometido e qual a distância até o necessário? · NDC, metas líquidas zero, legislação, avaliação de suficiência.
  • 4 · Uso da terra e floresta

    O que está acontecendo com a cobertura vegetal? · Alerta, cobertura, fogo, restauração.
  • 5 · Risco e adaptação

    Quem está exposto e o que já aconteceu? · Vulnerabilidade, desastre, atribuição de evento.
  • 6 · Financiamento

    Quanto dinheiro está indo para onde? · Fluxo realizado, fundo, meta negociada.
  • 7 · Brasil

    Recorte, não função · Camada declarada no material fornecido. Neste catálogo ela não é atribuída como camada, porque toda fonte brasileira também tem função própria entre 1 e 6. O recorte é resolvido pelos campos escopo e natureza, que separam a camada oficial da camada independente sem duplicar linha.
  • 8 · Preservação e integridade

    O dado publicado continua acessível e íntegro? · Arquivamento de série e rastreamento de remoção. O material fornecido não nomeava as fontes desta camada. Preenchida em 06/08/2026 com Wayback Machine, Zenodo e Portal Brasileiro de Dados Abertos, depois de a URL do BTR1 citada na bibliografia devolver 404.