Pontos de inflexão

Esta página compara dois números. O primeiro é o limiar de cada subsistema do clima, como uma floresta ou uma camada de gelo, publicado em estudos científicos. O limiar é a temperatura a partir da qual o subsistema não consegue mais voltar ao estado anterior. O segundo é o aquecimento medido hoje pelas fontes. O limiar não indica uma data e não é uma previsão.

Os estudos sobre pontos de inflexão do clima registram 20 subsistemas, e 16 deles têm um limiar de temperatura publicado. Em 2025, o último ano completo, o aquecimento medido foi de 1,47 grau acima da média de 1850 a 1900, o período usado como referência para a época anterior à industrialização. O limiar mais baixo da lista é de 1,5 grau e vale para 4 subsistemas.

O limiar de inflexão é a temperatura a partir da qual um subsistema não consegue mais voltar ao estado anterior. Os estudos o expressam em graus de aquecimento. O ano em que o planeta chega a esse valor depende das emissões futuras, e nenhuma medição de hoje informa essas emissões. Por isso, o limiar não tem data. Os estudos publicam uma faixa de valores, e não um número único. Por isso, cada subsistema traz o valor central, o mínimo e o máximo. Nesta base, as faixas vêm do relatório Global Tipping Points de 2025, e a nota de cada subsistema cita o que o relatório afirma.

Os subsistemas estão em três partes do planeta: 9 na criosfera, que reúne o gelo e a neve; 6 na biosfera, que reúne os seres vivos; e 3 na troca entre oceano e atmosfera. Desses, 3 dizem respeito ao Brasil: os recifes rasos do Atlântico, os manguezais e o sistema urbano. O relatório classifica 9 subsistemas em risco crescente e 1 com o ponto de inflexão já em curso: os recifes de coral de água quente.

Na série do Copernicus, o serviço europeu de monitoramento do clima, o aquecimento subiu de 0,19 grau em 1940 para 1,47 em 2025. O limiar mais baixo da lista está a 0,03 grau desse valor. A base tem dados de pelo menos uma variável para 19 dos 20 subsistemas. Essas variáveis medem a pressão sobre o subsistema. Elas não informam se o limiar foi ultrapassado.

Os limiares são expressos em relação à média de 1850 a 1900. Só uma fonte publica a anomalia, isto é, a diferença de temperatura, em relação a esse mesmo período. As outras 6 séries de anomalia desta base usam outros períodos de referência. Converter essas séries produziria um número que nenhuma fonte publicou. Por isso, esta página compara os limiares com uma única fonte. Ultrapassar o limiar significa que a mudança deixa de depender do que for feito depois. O ano em que a mudança se completa continua desconhecido. A comparação mostra a distância em graus e não permite calcular prazos. Quando a nota de um subsistema diz que o limiar já está sendo ultrapassado, o relatório se baseia em evidências próprias, que vão além desta comparação.

Aquecimento medido por fonte

Os valores são de 2025 e usam como referência a média de 1850-1900, o mesmo período em que os limiares são expressos. Outras 6 séries de anomalia da base usam outros períodos de referência e ficam fora desta comparação, porque convertê-las produziria um número que nenhuma fonte publicou.

  • C3S 1,472 °C

Subsistemas com limiar publicado

  • Recifes de coral de água quente

    limiar 1,5 °C (1–2)

    limiar ainda acimabiosferaglobalponto de inflexao em curso1/1 variáveis com dado
    O GTP 2025 registra que os recifes de água quente estão cruzando o limiar térmico, com dieback sem precedente.
  • Manto de gelo da Groenlândia

    limiar 1,5 °C (0,8–3)

    limiar ainda acimacriosferaglobalaproximando1/2 variáveis com dado
  • Manto de gelo da Antártica Ocidental

    limiar 1,5 °C (1–3)

    limiar ainda acimacriosferaglobalaproximando1/2 variáveis com dado
  • Permafrost boreal: degelo abrupto

    limiar 1,5 °C (1–2,3)

    limiar ainda acimacriosferaglobalrisco crescente1/2 variáveis com dado
  • Gelo marinho do Mar de Barents

    limiar 1,6 °C (1,5–1,7)

    limiar ainda acimacriosferaglobalincerto1/1 variáveis com dado
    Limiar central estreito na literatura anterior; o GTP 2025 não reafirma classificação própria e mantém a incerteza sobre gelo marinho fora do verão ártico.
  • Convecção Labrador-Irminger e giro subpolar

    limiar 1,8 °C (1,1–3,8)

    limiar ainda acimaoceano_atmosferaglobalrisco crescente1/2 variáveis com dado
  • Geleiras de montanha

    limiar 2 °C (1,5–3)

    limiar ainda acimacriosferaglobalrisco crescente1/2 variáveis com dado
    Destacado entre os quatro sistemas em foco do GTP 2025.
  • Monção da África Ocidental e Sahel

    limiar 2,8 °C (2–3,5)

    limiar ainda acimaoceano_atmosferaglobalincerto0/1 variáveis com dado
    O GTP 2025 registra que a modelagem recente apoia dinâmica de inflexão em monções, com evidência ainda limitada. Passou a incluir a monção do Leste Asiático como sistema potencial.
    ver também
  • Bacias subglaciais da Antártica Oriental

    limiar 3 °C (2–6)

    limiar ainda acimacriosferaglobalrisco distante1/1 variáveis com dado
    O GTP 2025 mantém alta confiança em ponto de inflexão nos mantos de gelo, e situa as bacias subglaciais da Antártica Oriental acima da faixa de Paris; entram entre os sistemas que tombam sob estabilização em 3 graus.
  • Floresta amazônica

    limiar 3,5 °C (2–6)

    limiar ainda acimabiosferaglobalrisco crescente9/10 variáveis com dado
    O GTP 2025 situa risco de dieback abaixo de 2 graus quando o aquecimento se combina ao desmatamento. Lovejoy e Nobre (2018) situam o limiar em 20 a 25 por cento de desmatamento acumulado.
  • Circulação meridional de revolvimento do Atlântico

    limiar 4 °C (1,4–8)

    limiar ainda acimaoceano_atmosferaglobalrisco crescente1/1 variáveis com dado
    Colapso afetaria segurança alimentar e hídrica global e o regime de chuvas tropicais.
  • Permafrost boreal: colapso

    limiar 4 °C (3–6)

    limiar ainda acimacriosferaglobalrisco distante1/2 variáveis com dado
    O GTP 2025 mantém confiança média em inflexão local a regional no permafrost, com o colapso generalizado acima da faixa de Paris. O degelo abrupto é o recorte que entra na faixa próxima.
  • Floresta boreal: dieback ao sul

    limiar 4 °C (1,4–5)

    limiar ainda acimabiosferaglobalrisco crescente1/2 variáveis com dado
    O GTP 2025 lista as florestas boreais entre os sistemas que passam a correr risco de tombar sob estabilização em 2 graus, junto de geleiras de montanha e da AMOC.
  • Floresta boreal: expansão ao norte

    limiar 4 °C (1,5–7,2)

    limiar ainda acimabiosferaglobalrisco crescente1/1 variáveis com dado
    Idem: a expansão ao norte acompanha o dieback ao sul na avaliação de risco sob estabilização em 2 graus.
  • Gelo marinho de inverno do Ártico

    limiar 6,3 °C (4,5–8,7)

    limiar ainda acimacriosferaglobalincerto1/1 variáveis com dado
    O GTP 2025 avalia que o gelo marinho de verão do Ártico dificilmente atinge ponto de inflexão, e não descarta o do inverno nem o da Antártica, com alta incerteza.
  • Manto de gelo da Antártica Oriental

    limiar 7,5 °C (5–10)

    limiar ainda acimacriosferaglobalrisco distante1/1 variáveis com dado
    Limiar central muito acima da faixa de Paris. O GTP 2025 o trata junto dos mantos de gelo, com alta confiança na existência do limiar e baixo risco no horizonte próximo.

As variáveis que acompanham cada subsistema

A descrição de cada subsistema indica quais séries mostram a perda de resiliência, isto é, a perda da capacidade de se recuperar. Aqui aparecem as séries que têm dados suficientes para formar uma curva. O limiar não aparece nos gráficos, porque ele é uma temperatura e estas séries medem outras coisas.

▸ Cobertura de vegetação nativa remanescente (ha)

Esta série acompanha 3 subsistema(s): Floresta amazônica, Floresta boreal: dieback ao sul, Floresta boreal: expansão ao norte.

edição de 2026-02 · coletada em 2026-08-06

▸ Taxa anual de desmatamento (km2/ano)

Esta série acompanha 1 subsistema(s): Floresta amazônica.

edição de 2026-05 · coletada em 2026-08-06

▸ Área queimada (ha/ano)

Esta série acompanha 1 subsistema(s): Floresta amazônica.

edição de 2025 · coletada em 2026-08-06

▸ Focos de calor detectados por satélite (contagem)

Esta série acompanha 1 subsistema(s): Floresta amazônica.

edição de 2026 · coletada em 2026-08-06

▸ Desmatamento acumulado sobre a área original do bioma (percentual)

Esta série acompanha 1 subsistema(s): Floresta amazônica.

edição de 2026-02 · coletada em 2026-08-06

▸ Balanço de massa de geleiras de montanha (mm eq. água)

Esta série acompanha 1 subsistema(s): Geleiras de montanha.

WGMSem mm eq. água
edição de 2025 · coletada em 2026-08-06

▸ Extensão do branqueamento coralíneo (percentual)

Esta série acompanha 1 subsistema(s): Recifes de coral rasos do Atlântico Sul.

SIMACLIMem percentual
edição de 2025 · coletada em 2026-08-06

▸ Área de manguezal (ha)

Esta série acompanha 1 subsistema(s): Manguezais brasileiros.

edição de 2026 · coletada em 2026-08-06

▸ Elevação do nível do mar (mm)

Esta série acompanha 1 subsistema(s): Manguezais brasileiros.

edição de 2026-08 · coletada em 2026-08-06

▸ Produtividade pesqueira (t/ano)

Esta série acompanha 1 subsistema(s): Manguezais brasileiros.

FishStatem t/ano
edição de 2025 · coletada em 2026-08-06

▸ Área urbana mapeada (ha)

Esta série acompanha 1 subsistema(s): Sistema urbano brasileiro.

edição de 2026 · coletada em 2026-08-06

▸ Participação de solar e eólica na geração elétrica (percentual)

Esta série acompanha 1 subsistema(s): Inflexão social positiva.

edição de 2026 · coletada em 2026-08-06

Subsistemas sem limiar de temperatura publicado

Para estes subsistemas, os estudos registram o risco, mas não indicam uma temperatura de inflexão. Em alguns casos, o limiar é dado em outra variável, e não na temperatura global.

  • Recifes de coral rasos do Atlântico Sul

    brasil

    biosferaponto de inflexao local
    Únicos recifes rasos do Atlântico Sul. Branqueamento acima de 90 por cento no Nordeste e nas ilhas oceânicas no 4º evento global (2023-2024); mortalidade acima de 60 por cento em Mussismilia harttii. O relatório aponta ausência de áreas totalmente resilientes.
  • Manguezais brasileiros

    brasil

    biosferarisco crescente
    Não consta entre os 16 elementos globais. Entra pelo recorte nacional, com função de estoque de carbono, berçário pesqueiro e proteção costeira.
  • Sistema urbano brasileiro

    brasil

    socioecologicorisco crescente
    Subsistema socioecológico, não elemento do sistema Terra. 87 por cento da população em áreas urbanas; 16 de 27 capitais sem plano climático concluído.
  • Inflexão social positiva

    global

    socialalavanca
    Sentido inverso: limiar que se busca cruzar. Seis domínios em Otto et al. (2020): energia e armazenamento, assentamentos humanos, mercados financeiros, normas e valores, educação e engajamento, retroalimentação de informação.